5 anos sem Matraga ; o GOLPE e o desmonte da Rede Psicossocial no Brasil.
Atualizado: 10 de jan. de 2022
5 anos sem Marcus Matraga, 5 anos de forte avanço manicomial.

Em 2016, ano de forte enfrentamento politico e ideológico no Brasil uma das grandes referências da Rede de Saúde Mental da Bahia era o professor e psicólogo Marcus Matraga, um lutador histórico do Movimento da Luta Antimanicomial Brasileira e docente aposentado da Universidade Federal da Bahia. A obra de Matraga e seu pensamento dentro da psicologia social sempre foi intransigente em defesa da reforma psiquiátrica e de uma ética libertaria, que perturbava radicalmente a racionalidade modulada que vivemos atualmente em nossas relações com o outro. Além de psicólogo Marcus Matraga era um grande educador e mobilizador popular, ele representou em pessoa os desejos e compromissos da luta em favor dos loucos, desvalidos e massacrados pela realidade social brasileira .
O Movimento da Luta Antimanicomial e da reforma psiquiátrica pulsavam forte na rede psicossocial de Salvador naquele ano de retrocessos de 2016, o sentimento de ataque à democracia era intenso mas ao mesmo tempo se via muita resistência e resiliência.
No dia 5 de fevereiro de 2016, ano do golpe contra a democracia, tivemos a notícia da morte de Matraga, na verdade mais um brutal assassinato de uma figura exemplar e amável, mais um lutador e defensor dos diretos humanos morto por lutar pelo direito à terra no Brasil. As circunstâncias do crime geraram desespero, incompreensão e dúvidas nos colegas de trabalho, amigos e familiares.

5 ANOS DO GOLPE CONTRA A DEMOCRACIA E CONTRA MATRAGA | O que vivemos há 5 anos atrás em relação ao golpe e ao assassinato de Marcus Matraga de certa maneira aponta para o que estamos vivendo atualmente no Brasil em relação a nossa democracia e as políticas públicas de saúde mental. Assim como Matraga, Marielle Franco e tantos outros lutadores, nossa rede de atenção psicossocial está sendo deliberadamente destruída, silenciada e impunemente exterminada. Novas legislações e praticas fortalecem as internações forçadas e o confinamento das liberdades e subjetividades, enterrando de vez o desejo de uma sociedade sem manicômios. O atrelamento de religiões fundamentalistas nas praticas de saúde mental somados a falta de financiamento para os serviços substitutivos aos manicômios são elementos que mostram que a reforma psiquiátrica está sendo enterrada impunemente a sete palmos.
O modelo clinico psicossocial garantido e amparado pela lei 10.216 de 2001 e suas subsequentes implementações e normativas, conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica precisa ser afirmada. Os psicólogos e boa parte dos profissionais do campo da saúde mental devem buscar a humanização nos serviços de saúde mental e atenção psiquiátrica no Brasil , uma luta necessária que Marcus Matraga nos deixou como legado de sua existência.
Clamamos por JUSTIÇA por Marcus Matraga e para a Rede de Atenção Psicossocial Brasileira.
Redação | Jornal O Decolonial |



Como servidor do CAPS, mas também como cidadão, conclamo a todos para levantarmos nossa voz em defesa de uma sociedade sem manicômios e contra o desmanche dos serviços de atenção psicossocial. Resistamos!