Beija Flor de Nilópolis questiona período imperial e "dá aula" à gestão Angelo Oswaldo no carnaval.
Uma das mais conhecidas e importantes Escolas de Samba do Brasil desfila com o samba-enredo "Brava Gente ! O Grito Dos Excluídos No Bicentenário da Independência"

CARNAVAL POPULAR | O Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis vencedora de 14 títulos do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro concorre novamente no carnaval carioca em 2023. Com um samba- enredo cheio de senso crítico e forte apelo popular, a escola de samba pretende levar à avenida um novo olhar sobre a Independência do Brasil.
Com o lema Brava Gente! O Grito dos Excluídos No Bicentenário da Independência, o samba-enredo da Beija-Flor 2023 foi composto por Léo do Piso, Beto Nega, Manolo, Diego Oliveira, Júlio Assis e Diogo Rosa e terá a cantora Ludmilla e saudoso Neguinho da Beija Flor como intérpretes.
O Grito Dos Excluídos No Bicentenário da Independência - Samba enredo Beija-flor 2023.
"A revolução começa agora Onde o povo fez história E a escola não contou Marco dos heróis e heroínas Das batalhas genuínas Do desquite do invasor
Naquele 2 de julho, o Sol do triunfar E os filhos desse chão a guerrear O sangue do orgulho retinto e servil Avermelhava as terras do Brasil
Eu vim cobrar igualdade Quero liberdade de expressão É a rua pela vida, é a vida do irmão Baixada em ato de rebelião Eu vim cobrar igualdade Quero liberdade de expressão É a rua pela vida, é a vida do irmão Baixada em ato de rebelião
Desfila o chumbo da autocracia A demagogia em setembro a marchar Aos renegados, barriga vazia Progresso agracia quem tem pra bancar
Ordem é o mito do descaso Que desconheço desde os tempos de Cabral A lida, um canto, o direito Por aqui o preconceito tem conceito estrutural
Pela mátria soberana, eis povo no poder São Marias e Joanas, os Brasis que eu quero ver Deixa Nilópolis cantar Pela nossa independência, por cultura popular
Deixa Nilópolis cantar Pela nossa independência, por cultura popular
Ô, abram alas ao cordão dos excluídos Que vão à luta e matam seus dragões Além dos carnavais, o samba é que me faz Subversivo, Beija-Flor das multidões."
Enquanto isso em Ouro Preto
Enquanto a Beija-flor de Nilópolis, historiadores, e boa parte dos estudiosos do Brasil Colônial/Imperial apontam para as enormes contradições, violências e o modo autoritário como a sociedade brasileira era gerida pelo império, a gestão Angelo Oswaldo continua sua campanha ultrapassada de afirmação de "falsos príncipes" e do período Imperial brasileiro.
Não é mais aceitável que essa visão histórica retrógrada e conservadora, de exaltação do Brasil Colonial e Imperial continue prevalecendo na parte cultural da cidade de Ouro Preto. Carnaval é uma festa popular construída pela base da sociedade civil que se junta para sorrir, dançar, cantar e pular o carnaval de diversas formas, portanto uma festa do povo que nada tem haver com as trevas do período imperial, responsável por perseguir e dizimar quem lutava por dignidade e contra a escravidão.
Redação | Jornal O Decolonial |




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