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COLUNA | Itabirito Inteligente | Associações Comunitárias e a construção de uma cidade plural.

8 de dez. de 2021
3 min de leitura

Atualizado: 10 de dez. de 2021

Confira o texto de hoje da "Coluna Itabirito Inteligente" que aborda aspectos da organização comunitária na Região dos Inconfidentes.

A ORGANIZAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES COMUNITÁRIAS PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA CIDADE PLURAL

por : José Roberto Vaz

Na conjuntura política atual, estamos literalmente andando na contramão da história e do que é considerado ideal para uma gestão pública de excelência. Os modelos de gestão implantados tem se apresentado de forma mais conservadora e burocrática e é preciso que as pessoas se reorganizem e estabeleçam um contraponto a este sistema. Vozes isoladas não conseguem por si só promover esta mudança, mas o seu conjunto é mais que um coro de descontentes: é buscar defender uma causa, é fazer um movimento de base e unir as pessoas na busca do bem comum. E uma das formas de legitimar tudo isto é através de uma associação, a fim de formar um elo entre a comunidade e o Poder Público, buscando fiscalizar, se fazer ouvir, viabilizar as reivindicações dos moradores e as ações coletivas de promoção social.


No caso de Itabirito, a cidade viveu dois momentos distintos dos movimentos comunitários: um de apogeu e outro de decadência. No final da década de 80, já existiam algumas associações em funcionamento na cidade, mas foi nos anos 90 que ocorreu o grande "boom" das associações comunitárias, muito por incentivo do novo grupo político que assumira a cidade e que tinha uma filosofia de despertar lideranças locais, organizando associações de bairro, com o intuito de formar estas lideranças, mas também de criar núcleos de apoio político. Nesta época foram construídos diversos salões comunitários e criada a Julifest, sendo uma de suas finalidades dar visibilidade às associações através de sua efetiva participação no evento, angariando recursos durante a festividade e recebendo subvenções de apoio, visando seu sustento.

Foto : José Roberto Vaz

Com o advento de novos grupos políticos e novas metodologias de gestão, estas associações, de certa forma, deixaram de ser priorizadas e começam a passar por um processo de decadência. Apesar do governo municipal manter as estruturas institucionais de apoio, muitas apresentaram problemas de gestão, conflitos internos, desmobilização dos membros, dívidas, pendências com documentação e ociosidade dos espaços, culminando no fato de grande parte delas ter sido desativada ou ter ficado em inatividade por longos períodos. Daí o entendimento de que as associações não podem ser tratadas como órgãos sazonais (só funcionar em época de festa), mas sim ter a sua devida importância e manter suas atividades em plenitude em favor da comunidade que elas representam. Para isso, existe uma necessidade premente de reestruturação de grande parte delas, a fim de que muitas comunidades se reorganizem de forma plural e tenham restabelecido um elo mais fortificado com as instâncias governamentais.

Assim sendo, é primordial que o Poder Público tenha o compromisso de estabelecer parcerias mais consistentes com as associações comunitárias, valorizando o seu trabalho e fortalecendo os laços com as diversas comunidades, levando para estas localidades e seus espaços, diversas atividades culturais, esportivas e sociais, práticas de economia solidária e inclusão digital, além de cursos de formação para atender desde crianças até as pessoas da terceira idade. Também seria interessante uma parceria no sentido de oferecer um serviço de consultoria e assessoria técnica para as questões estruturais e documentais das associações, sobretudo as que ainda estão em processo de reestruturação e não possuem sede própria.

Da mesma forma, as associações comunitárias, assim como outras associações, ONG's e OSCIP's precisam de membros engajados que façam estas instituições serem fortes e organizadas, com condições plenas de estabelecer a sua autogestão, para trabalharem com autonomia administrativa e financeira, de modo que não sejam dependentes de grupos políticos e nem sejam utilizadas como massa de manobra por eles, mas que sejam protagonistas na construção coletiva de propostas para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, escrevendo com suas próprias forças a sua história.

COLUNA I ITABIRITO INTELIGENTE I

Zé Roberto Vaz possui graduação e pós graduação em Gestão Pública.

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