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COLUNA ITABIRITO INTELIGENTE | Cenário pós- enchente em Itabirito.

17 de jan. de 2022
3 min de leitura

Atualizado: 22 de jan. de 2022

Confira o texto de hoje da Coluna Itabirito que aborda a questão das enchentes que devastaram a cidade,
Foto: José Roberto Vaz

Por: José Roberto Vaz


Minas Gerais sofreu com o grande volume de chuvas que ocorreu desde o dia 8 de janeiro e que também trouxe grandes prejuízos à Região dos Inconfidentes, como enchentes, deslizamentos, obstrução de vias públicas e estradas. Muitas pessoas perderam suas casas e seus pertences, comerciantes perderam mercadorias, órgãos públicos foram afetados, muitas localidades ficaram inacessíveis. Mais que bens, histórias de vida, de muita luta se perderam neste cenário desolador.

Em Itabirito, tanto na região urbana quanto na zona rural, vários córregos transbordaram e atingiram a população ribeirinha. Assim também, o transbordamento do Rio Itabirito causou grandes transtornos e prejuízo aos moradores dos bairros São Geraldo, Santa Efigênia, Praia e Centro. Muitos deslizamentos ocorreram em diversas regiões da cidade, sendo o mais grave no bairro Novo Horizonte, que destruiu uma residência, sendo posteriormente necessária a remoção de moradores de duas ruas por conta do risco geológico. Também ocorreram quedas de barreiras, que impediram o tráfego na BR 356, comprometendo o deslocamento para Belo Horizonte e Ouro Preto.

Passada a tempestade, é momento de reconstrução, de solidariedade, de retomada, mas também de reflexão. Já dizia, lá no final dos anos 80, nosso saudoso professor de geografia, Alírio Ferreira Vaz, que “as pessoas precisam ter uma educação ambiental e que a mudança drástica causada pelo homem e pelas atividades extrativistas na paisagem natural vai acarretar grandes danos ao meio ambiente e consequências nefastas à humanidade”. Os anos se passaram, a lição foi dada e, ao que tudo indica, a maioria não aprendeu. Mais que apontar culpados, precisamos assumir que também temos culpa (mesmo que indiretamente) e ponderar sobre o que podemos fazer daqui para frente.


Foto : José Roberto Vaz

Temos visto que a Prefeitura, conjuntamente com a Defesa Civil está se empenhando no trabalho de reconstrução da cidade. Mas, será que as ações preventivas, o plano de ação e a tomada de decisões acerca da calamidade por parte do Poder Público foram as mais acertadas ou estes impactos poderiam ter sido minimizados com outras estratégias e outras atitudes? Outro fato que instiga a todos é sobre a parcela de culpa das atividades minerárias da região, em relação à enchente. Será que havia rejeitos de minério misturado à lama do rio e em qual proporção? O quanto a degradação do meio ambiente provocada pelas mineradoras contribuiu com este tipo de calamidade e o que elas fizeram para ajudar a cidade enquanto estávamos sofrendo com as fortes chuvas? Será que o Poder Público, em troca de empregos, geração de impostos e algumas contrapartidas das mineradoras, não está sendo omisso em fiscalizar e questionar suas ações?

Outro fato que chamou a atenção, foi a atuação das redes sociais durante a enchente. Ela foi muito útil enquanto transmissora de informações em tempo real sobre a evolução de diversas situações pela cidade. Mas, também se tornou um cenário de disseminação de Fake News ou de notícias distorcidas, golpes com falsas campanhas de arrecadação e pedidos de PIX, além das habituais promoções pessoais e políticas em cima da tragédia que nos abateu. Muita autopromoção, muita falácia e pouquíssima coisa a acrescentar para as pessoas. Bem o reflexo de como as redes vem sendo utilizadas nos dias atuais a nível de Brasil...

A lição que já devíamos ter aprendido há tempos é de que precisamos fazer escolhas certas, precisamos entender que a destruição do meio ambiente é também a nossa destruição e que é necessário haver ações concretas para combater futuros eventos como este, precisamos também ter a consciência de que nossas vidas valem mais que o lucro das grandes corporações e que as articulações de uma política que se perpetua em função do capital, deixando o povo em segundo plano. Por fim, esse cenário pós-enchente nos propõe uma mudança de atitude imediata, em todos os sentidos, para que não seja utópica a garantia de um futuro mais sustentável para a humanidade.


COLUNA I ITABIRITO INTELIGENTE I

Zé Roberto Vaz possui graduação e pós graduação em Gestão Pública.

4 comentários


José Roberto Vaz
José Roberto Vaz
18 de jan. de 2022

Cada dia mais desanimador, mas precisamos lutar.

Adriana, grande abraço!

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javier.curilem
18 de jan. de 2022

Penso que agora ficou mais claro que os governantes tendem a "dar barrigadas " nos novos problemas que surgiram e que ainda vão se agravar, tais como: mudanças climáticas severas, pandemia de longa duração, matriz econômica excessivamente atrelada à mineração, exploração do oxido de ferro em grande escala e envelhecimento da população entre outros. Eles “barrigão” porque no fundo essas novas variáveis exigem uma nova mentalidade que não existe em nenhum dos grupos políticos atuantes na cidade, essa nova mentalidade vai ter que ser capaz de buscar soluções no futuro e não no passado, porque no futuro o minério vai ser suplantado ou acabar, no futuro as mudanças climáticas serão mais severa, no futuro o sistema de saúde municipal …

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José Roberto Vaz
José Roberto Vaz
18 de jan. de 2022
Respondendo a

Javier, é triste ver que os 17 ODS, com metas para 2030, estão longe de serem alcançados. Nossa região é "escrava" das atividades minerárias ao ponto dos governos fazerem vista grossa à degradação ambiental. Como um bem natural não renovável, no dia em que o minério exaurir, nos sobrarão crateras e miséria, pois Itabirito não se deu conta de que é necessário diversificar sua economia. Estamos a passos de tartaruga para o desenvolvimento sustentável e e correndo como Bolt para a destruição.

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Membro desconhecido
17 de jan. de 2022

Triste realidade!

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