Coluna Itabirito Inteligente | Concepção e história da Reforma Psiquiátrica Brasileira.
Confira a Coluna Antimanicomial de José Roberto Vaz.

COLUNA I ITABIRITO INTELIGENTE I
Zé Roberto Vaz possui graduação e pós graduação em Gestão Pública.
No dia 18 de maio é celebrado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial e esta data lembra a luta de trabalhadores e trabalhadoras da saúde mental, usuários e seus familiares, para a construção de um atendimento humano e digno, para superar o modelo manicomial, realizado em hospitais (em sua grande maioria da iniciativa privada), onde pacientes com algum tipo de sofrimento mental eram internados aos montes e passavam por privação de liberdade, do convívio social e eram brutalmente torturados, naquilo que era considerado o “tratamento adequado” à época. Desta luta, somada à necessidade da reforma sanitária do Sistema Público de Saúde, surge a Reforma Psiquiátrica e também futuramente surgiria o SUS. Graças à Reforma, surgiram dispositivos que hoje são essenciais para os cuidados aos transtornos mentais como os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), as Residências Terapêuticas, o Matriciamento em Saúde Mental na Atenção Básica, os Centros de Convivência e Cultura, os CAPS AD (destinados a usuários de álcool e outras drogas) e os CAPS Infanto-juvenis.
A partir deste movimento, os usuários passaram a ser tratados na comunidade, por serviços que realizam tratamentos psicossociais e a reabilitação dos pacientes, com projetos terapêuticos individualizados que priorizam seus objetivos e sua inclusão na sociedade como cidadãos, lutando pelo mesmo direito e acesso aos mesmos dispositivos culturais, de lazer, saúde e educação que o restante da população. Desta forma, o indivíduo com transtorno mental passa ser protagonista em relação à sua vida e o seu próprio tratamento. Hoje é papel destes serviços realizar a manutenção do cuidado em liberdade e a humanização do tratamento, fortalecimento assim as ações do SUS em relação à saúde mental, através da atuação de suas equipes multidisciplinares.

Mas, a luta antimanicomial não deve ter seus holofotes somente no 18 de maio, pois ela é um desafio constante. A luta precisa ser diária, no cuidado com cada usuário, cada familiar que necessita de amparo quando das crises e das necessidades de cada um, quanto também em relação às políticas públicas que sustentam o serviço. É fundamental que haja o devido reconhecimento da importância do serviço de saúde mental para a vida de pacientes e familiares e que seja combatida toda forma de retrocesso e preconceito, seja por parte de outras pessoas ou por parte dos próprios poderes constituídos.
Ainda existem muitos “mitos” a serem desmascarados e ainda existem muitos governos que falam de saúde mental somente para fazer média com a sociedade, mas que compactuam com políticas de sucateamento e enfraquecimento deste serviço. Que seja, agora mais do que nunca, cada dia “um 18 de Maio” de resistência, de inclusão, de esperanças renovadas.
Por: José Roberto Vaz




Gostei da publicação.