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COLUNA ITABIRITO INTELIGENTE | Da lama ao caos: a recorrência da miséria social.

9 de mar. de 2022
2 min de leitura

Atualizado: 21 de mar. de 2022

Coluna Itabirito Inteligente de hoje aborda a miséria social nos dias atuais.
Foto : adesita.org.br/

Da lama ao caos: a recorrência da miséria social.

Por: José Roberto Vaz


Hoje me ocorreu de escrever um artigo mais subjetivo, mas que também não deixa de ter o seu viés técnico. Um convite reflexivo sobre como está nossa vida, sobre como vemos o próximo e qual é a reponsabilidade da gestão pública em relação à maneira como vivemos nos dias atuais. Como era a cidade há vinte anos atrás, o que mudou no modo de vida das pessoas e o que continuou do jeito que estava ou até mesmo piorou. O que podemos fazer para que a nossa cidade e a vida das pessoas que nela vivem possa melhorar. Há grandes desafios pela frente e vamos precisar de todo mundo.


Um dia desses, ouvindo as músicas do saudoso Chico Science (1966-1997), mais precisamente do álbum “Da lama ao caos” (1994), a impressão que tive é que as músicas foram escritas recentemente, pois retratam a realidade das cidades como elas são, nos dias atuais. Ou seja, quase trinta anos depois, a vida das pessoas, o “modus operandi” das cidades e dos governos refletem uma mudança que pouco aconteceu. Como diria Renato Russo, outro grande compositor, com suas letras super atuais: “mudaram as estações e nada mudou”! Apesar de alguns avanços sociais e tecnológicos do início do Século XXI, ainda somos reféns de gestores nefastos e suas políticas conservadoras, que subvertem conquistas populares e potencializam a situação de miséria social e cultural da população, sobretudo dos pobres, negros e periféricos. Todo este conjunto que hoje vivenciamos, toda esta estagnação social, é fruto de governos que, para se garantirem no poder, criam estas condições sociais de má distribuição de renda, pouco acesso à informação, dependência social, para nós, o povo, sermos a classe dominada e eles, os dominantes.


E assim, a velha política vai se perpetuando através de um aparelhamento de alienação, sustentado pela grana das grandes corporações, pelos grandes meios de comunicação e até mesmo por algumas igrejas, que fazem do povo sofrido a sua massa de manobra. Parece até mentira, mas os que elegeram através de seu voto o atual desgoverno, são pessoas comuns, gente do povo, que acreditou na manipulação das informações das grandes emissoras de rádio, televisão e grandes jornais, pessoas que tiveram medo de perder o emprego e até mesmo foram induzidas pelos falsos profetas que sobem nos púlpitos de certas igrejas.


Apesar de existir todo este grande poderio, que ganhou força de alguns anos para cá, existem movimentos alternativos que buscam caminhos diferentes, inclusivos, libertadores. Estes movimentos procuram dar esperança, motivação e servir de inspiração às pessoas, mostrando que é possível mudar este panorama com um olhar social e plural. Somos muitos engajados em projetos sociais, somos gestores públicos comprometidos, somos mídias alternativas e outros movimentos culturais fazendo sua parte, sendo um contraponto a todo este sistema opressor, mas ainda é preciso mais.


Em um mundo tão desigual, com tantos discursos de ódio e tanta injustiça, mais uma vez eu digo que vamos precisar de todo mundo, pois somente conscientes do nosso valor e unidos, poderemos fazer a diferença em nossa cidade, em nossas vidas e conquistar nossa dignidade.


COLUNA I ITABIRITO INTELIGENTE I

Zé Roberto Vaz possui graduação e pós graduação em Gestão Pública.

1 comentário


José Roberto Vaz
José Roberto Vaz
14 de mar. de 2022

"Rios, pontes e overdrives

Impressionantes esculturas de lama"

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