Coluna Itabirito Inteligente | Quem paga o preço de uma gestão pública ineficiente?
Atualizado: 24 de mai. de 2022
Confira a Coluna Itabirito Inteligente de hoje : Por José Roberto Vaz

Por: José Roberto Vaz
As pessoas podem até não notar, mas por trás do discurso de que tudo caminha na mais perfeita ordem na cidade, existe um tom positivista e conservador. A grande verdade é que os anos se passaram, os grupos políticos vão se alternando no poder, mas a velha política continua a mesma. Muitas mudanças estão acontecendo à nossa volta e, absurdamente, estamos assistindo o bonde da história passar sem, ao menos, nos mover. Com o advento de novas tecnologias e metodologias de gestão, muitas práticas estão ficando ultrapassadas. O antigo modelo burocrático já é totalmente obsoleto e a gestão pública precisa acompanhar estas novas tendências gerenciais para que possa ofertar serviços de qualidade aos cidadãos, prezar pela eficiência e pela transparência em suas ações.
Quando o serviço público, que deve ser exercido com foco na excelência da sua prestação e na satisfação do cidadão, se torna cabide de emprego para correligionários políticos, amigos do prefeito, indicados de vereadores da base e financiadores de campanha, o grande prejudicado da história é o povo. É muito comum que pessoas sejam comissionadas para cargos relevantes sem que tenham uma instrução adequada e o devido conhecimento técnico específico para o cargo a que foram designados. Sem falar que, este cabide se estende para as empresas terceirizadas que prestam serviços à Prefeitura. Não precisamos ir longe para perceber este fato. Aqui em Itabirito, há pouco tempo atrás, um determinado vereador da base política da atual gestão se gabou de ter conseguido, através de sua influência, empregar cerca de cem pessoas na Prefeitura, fato este que lhe garantiu uma reeleição. Sem falar em velhos figurões da política local (alguns já com suas pomposas aposentadorias) ocupando lugar de gente que precisa ser inserida no mercado de trabalho ou de competentes servidores de carreira que nunca tiveram uma oportunidade de crescimento dentro do serviço público.
Aliás, é perceptível a insatisfação de inúmeros servidores públicos com a política praticada pela atual gestão que insiste em um discurso de “valorização dos servidores”, mas que, na prática, estabelece mecanismos ligados à filosofia do estado mínimo, que vai retirando direitos dos trabalhadores sem estes ao menos perceberem e, ao mesmo tempo, os sobrecarregam física e mentalmente. Sem falar que, o Poder Público, muitas vezes se recusa a estabelecer um diálogo salutar com o SINDSEMI – Sindicato dos Servidores Públicos e Autarquias de Itabirito, quando este se propõe a defender os direitos e reivindicações dos trabalhadores do serviço público municipal.
Cabe ressaltar que cada servidor público municipal é fundamental para que a Prefeitura e todas suas unidades funcionem com eficiência e atendam bem a todos os cidadãos em suas necessidades. Se por um lado os servidores reivindicam melhores salários, direito a pisos e outros benefícios que garantam isonomia, aquisição e melhoria de equipamentos necessários para a boa execução do serviço, bons cursos de formação continuada, por outro lado os gestores precisam ser mais técnicos e parceiros, sem perseguições e sem privilégios a seus partidários. Enquanto houver este desequilíbrio de forças e este conflito de interesses, o serviço público não vai conseguir corresponder às expectativas de uma coletividade, que espera um serviço de excelência.
Enquanto existirem gestores atrelados aos caprichos de mineradoras, de financiadores de sua campanha, que dão importância às amarrações partidárias para estabelecer sua governabilidade a qualquer preço, desprezando implantar dispositivos técnicos que otimizem a gestão pública, estaremos reféns de governos descomprometidos com causas sociais, ambientais e populares. Não basta se passar por bonzinho, se travestir de honestidade, se a realidade nos indaga a enxergar estes homens, eleitos pelo povo e cheios de poder, como realmente são. Nos governos de compadrio, onde interesses de poucos sufocam a vontade popular, o maior prejudicado nesta história sempre será o cidadão.
COLUNA I ITABIRITO INTELIGENTE I
Zé Roberto Vaz possui graduação e pós graduação em Gestão Pública.




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