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COLUNA ITABIRITO INTELIGENTE | Transporte Público Coletivo : Um problema sem solução?

27 de jan. de 2022
3 min de leitura

Atualizado: 28 de jan. de 2022

Texto de hoje da Coluna Itabirito Inteligente aborda a questão do transporte público na cidade de Itabirito.
Foto : José Roberto Vaz

Por: José Roberto Vaz


Com o crescimento demográfico e o surgimento de novos bairros, o município de Itabirito precisa enfrentar com inteligência os desafios ligados à mobilidade urbana. É visível o aumento do tráfego de veículos na cidade, a sobrecarga de inúmeras vias (sobretudo na área central), a dificuldade para se encontrar vagas de estacionamento e a necessidade de melhorias estruturais, além da ampliação das políticas de mobilidade e acessibilidade urbana. O transporte público coletivo é, sem dúvida, a peça principal deste quebra-cabeça

e, o que deveria ser uma solução viável de mobilidade, atualmente é o seu maior problema em nossa cidade. Estudos integrantes do Plano de Mobilidade Urbana de Itabirito (2015), apontaram que apenas 3,5% da população do município faz uso do transporte público coletivo e, que este percentual, comparado a outras cidades brasileiras é inexpressivo. Também foi constatado que a baixa receptividade da população em relação ao transporte público é caracterizada principalmente pela ausência de rotas mais dinâmicas, maior eficiência do serviço e a falta de ônibus modernos.


Outro ponto que chama a atenção no documento é que “o transporte coletivo público é realizado através de concessão, no qual a municipalidade apresenta as demandas que deseja ser atendida”, ou seja, o Poder Público estabelece como o serviço deverá ser prestado, ficando a concessionária com a obrigação de cumprir o que está estabelecido em contrato. Mas, na realidade, duas coisas são bem claras: a falta de eficiência por parte da municipalidade para exercer a fiscalização do serviço e o descaso da concessionária com a população, ignorando as reais necessidades dos usuários e colocando o lucro acima de tudo. Fato é que, a maioria esmagadora da população desaprova o serviço de transporte público coletivo prestado pela empresa Serra Verde. São reclamações de longa data em relação à qualidade dos ônibus, constantes atrasos, alteração de itinerários, relação custo-benefício e falta de eficiência e respeito com o usuário, o que se agravou ainda mais com a chegada da pandemia de Covid-19. Por outro lado, a concessionária alega que está tendo prejuízos operacionais com a prestação do serviço, principalmente por não ocorrer reajuste da tarifa há algum tempo, custos de manutenção, alta do diesel e a diminuição da circulação de pessoas devido à pandemia. Tudo isto fez com que a Prefeitura de Itabirito, recentemente, propusesse subsidiar a concessionária, para que a mesma tenha condições de se reestruturar e promover melhorias no seu atendimento à população.


Foto : José Roberto Vaz

Mediante esta situação, algumas questões precisam ser respondidas. Se a Serra Verde alega estar tendo prejuízo, por que ela quer continuar prestando o serviço em Itabirito? Será mesmo preciso que o Município subsidie as atividades da Serra Verde com o erário público ou existe outra solução viável? Segundo especialistas, “as políticas de subsídios sem a efetiva transparência e fiscalização e a falta de políticas públicas efetivas de mobilidade, servem apenas para aumentar a margem de lucro das empresas que prestam serviços precários, ineficientes e caros”. É preciso haver avanços na regulação, ampliação do controle social, efetiva gestão pública e mudanças nas formas de licitação, para que o transporte público deixe de ser um problema e se apresente como alternativa para a construção de uma cidade mais justa, acessível, inclusiva e sustentável. O transporte público definitivamente não pode continuar como está.


Ele precisa ser dinâmico e inclusivo. A concessionária precisa entender que o ator principal de todo este processo é o usuário e ela também deve ser consciente do seu importante papel para a melhoria da qualidade da mobilidade urbana. Quanto mais excelente for a prestação do serviço aos usuários, com mais linhas que atendam a todas localidades (inclusive rurais), cumprimento de horários e itinerários, lotações modernas e seguras, tarifa justa e acessível, mais pessoas vão preferir utilizar o transporte público. Automaticamente, menos carros particulares irão circular pela cidade, o trânsito vai fluir melhor e teremos mais eficiência em nossa mobilidade. Sim, tudo isto é possível, sem que haja, necessariamente, subsídio do Poder Público à concessionária. Basta que Município e Serra Verde façam sua parte, cada qual cumprindo com seu planejamento, suas ações e seus compromissos, para

garantir que nossa população seja bem atendida com um serviço de qualidade, eficiente e com total respeito a todos. Ganha o cidadão, ganha a cidade!


COLUNA I ITABIRITO INTELIGENTE I

Zé Roberto Vaz possui graduação e pós graduação em Gestão Pública.


3 comentários


José Roberto Vaz
José Roberto Vaz
10 de fev. de 2022

Em tempo: o subsídio à concessionária foi aprovado. Estaremos acompanhando o desenrolar dos fatos e veremos se realmente alguma coisa vai mudar pra melhor ou se tudo não passa de lorota.

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Membro desconhecido
28 de jan. de 2022

Ótimo texto Zé Roberto.

Eu particularmente prefiro andar de Aplicativo, carro próprio ou caminhando.

Atraso constante, motorista sem educação, falta de higiene nos coletivos, entre outras coisas mais...

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Zé Roberto
Zé Roberto
01 de fev. de 2022
Respondendo a

A empresa precisa pensar que é o usuário o seu maior patrimônio. Se não ofertar um serviço de qualidade, não vai haver interesse das pessoas em usar o serviço.

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