Coluna | Ouro Preto | Confira o texto de estreia da Coluna Ouro Preto.
Atualizado: 11 de dez. de 2021
Conheça João Aidar, o novo colunista do Jornal O Decolonial.

Por : João Aidar Filho
Ouro Preto.
Qual seria a primeira frase em uma coluna estreante ?
_ Vamos,
E saúdo aos que me leem, por hoje, sempre !
Tai a razão desta escrita.
_ Vamos,
a cidade ao sol,
a cidade em brumas,
úmida a fio.
A cidade viva,
e aqui estamos.
_ Vamos fazer voz e ação pelo bem comum e à cidadania.
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Se retomamos, sabemos desde Aristóteles, no capítulo 2 do livro VI de sua Política, que “o
fundamento básico do sistema democrático é a liberdade, e uma das características da liberdade é ser governado e governar de forma alternada”, e digo eu, que a dinâmica permanente desta alternância, da razão a coletividade e a cidadania, a pluralidade das vozes cidadãs.
Assim, é do que trata esta escrita que almeja ser periódica.
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Ante algumas possibilidades para nomear esta coluna, fico com a denominação do topônimo, cheio de assuntos, Ouro Preto, o lugar de que falo geograficamente e meu referencial de observação, indagação, reflexão e ação, do e no mundo.
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Sou João Aidar Filho, interiorano da Alta Paulista, nascido em Dracena, filho de pais funcionários públicos do magistério estadual. Vivi a década de 64 a 73 sob a presença claustrofóbica da repressão militar e seus aparatos de constrangimento, que levaram meu pai a prisão, e por anos seguidos ao golpe de estado, ao enjaulamento a cada 31 de marco, ou às suas viagens nesta data, transitando em trens ferroviários entre Dracena e São Paulo, o que então para ida e volta somavam mais de 26 horas em deslocamento continuo, evitando assim conhecidos senhores da repressão local e a surrealidade do tacão retrógado. Tímido garoto de cidade pequena tive na leitura, desde sempre, minha maneira de transcender espaço, tempo e mentalidades. Aos 17 bolsista AFS, American Field Service, reside por um ano em Salinas - CA, USA, onde conclui o ensino médio.
De volta ao Brasil ingressei na Unicamp em 1974 para cursar Economia, onde prontamente estabeleci laços que me acompanharam por 3 décadas, filiando-me ao movimento estudantil, viajando pelo pais e países latino-americanos, quando fui preso em 1975 no Acre, em viagem exploratória de conhecimento pessoal, mas identificado ao movimento estudantil, o que levou-me aos porões e a tortura por quarteis em Cruzeiro do Sul – AC, Manaus e São Paulo, sendo solto após as constantes ações de repudio pelo movimento estudantil, para as várias prisões cotidianas então e Mandado de Segurança impetrado pelo advogado Luiz Eduardo Greenhalch, ativado por congressistas e papai.
Nestas 3 décadas, conclui a graduação em Antropologia Social, ingressei no Mestrado e dediquei-me aos estudos indigenistas, quando visitei Guaranis por todo o litoral paulista, em levantamento de campo, recomendado pelo linguista Arion D’Alba Rodrigues ao Museu do Índio no Rio de Janeiro, contratante, e reside como auxiliar de educação indígena entre os Xavantes do Rio Kuluene - MT durante o ano de 1978. Desde a chegada a Campinas, em adesão ao Movimento Estudantil, tornei- me livreiro em coletivo de militantes, estabelecendo em continuidade atividade empresarial na Liubliú Livraria encerrada em 2004, ante o impacto do comercio eletrônico e a continua
desmobilização politica dos anos 90 e mais. Cheguei em Ouro Preto em 2006, já com uma formação bem Conservação e Restauro para Papel, Livros, Mapas, Documentos e ingressei na Faop para o curso técnico em Conservação e Restauro para Bens Patrimoniais Moveis, vindo a constituir família e o primogênito, dando aulas de geografia e Sociologia para o ensino Fundamental e Médio. Chegando a
hoje ao De Colonial.
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Na quinta 18.11, abriu a mostra comemorativa de 25 anos de trabalhos do artista Jorge Fonseca, no anexo do Museu da Inconfidência. Motivado a refletir sobre a cidade, aproveito a oportunidade para visitar o trabalho deste artista residente em Ouro Preto.
Há em Jorge Fonseca um sentido brincante, onde rosas, amarelos, esverdeados, azuis, em tons pastel ornamentam iluminosas superfícies, reluzem e jogam para uma impressão espalhafatosa e circense, que não por acaso faz-se presente por todo seu percurso e, é apresentado em grande espetáculo na anterior mostra itinerante, Fiotin.
Uma alegria convidativa ao observador propõem,” Let’s play that !” E faz mais em, “Deixa acontecer naturalmente” e aforismos e figuras de linguagem instantâneas e luzes cintilantes de parque de diversões de atmosfera sonhadora e de remissão ao simples e popular como antídoto ás agruras do cotidiano e existência humana.
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Ante as certezas de nom sense e desvarios de nosso panorama (des) governamental cabe lembrar que os votos vem de ampla camada da população, deserdados de pertencimento ao bem estar e das virtudes do direito cidadão, da saúde, da educação e mais, mas essencialmente deserdados pela anti-solidariedade burguesa. Relegados ao ostracismo, emergem emancipados por religiosidade rasteira, populismo e fascismo.
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Pretos, Povos Originários, Pobres, Periféricos, e dentre eles as Mulheres. constituem as camadas da população em notável ascensão à voz e deles vira a ação e o futuro, quiçá, De Colonial.
COLUNA I OURO PRETO I
João Aidar Filho




Parabéns! Brilhante estreia!
Grande João! Que tenha uma ótima estadia literária neste precioso material!
João, meus parabéns pela coluna! Muito sucesso nesta nova jornada, que retrata com lucidez a querida Ouro Preto. Grande abraço!