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Conheça a arte de 'Túlio Desenhista' o ouro-pretano de LUTA que desafia os limites do autismo.

20 de mar. de 2023
5 min de leitura

Atualizado: 29 de mar. de 2023

Saiba quem é Túlio Desenhista. Conheça o ouro-pretano que supera limites e faz de sua arte um ideal."Ouro Preto sempre me inspira."


ENTREVISTA DECOLONIAL | O Jornal O Decolonial conversou com Túlio Desenhista, artista ouro-pretano que tem se destacado com sua arte engajada e criativa, que ressalta aspectos culturais e sociais da sociedade brasileira.

perfil Túlio Desenhista TikTok

Tulio Campos tem 31 anos, é natural de Ouro Preto e amante da cidade histórica que lhe inspira a continuar produzindo e buscando novos olhares para a realidade social em que vive.


Além dos diversos trabalhos gráficos e ilustrações Túlio também lançou em 2018 um livro chamado Artistas Mineiros Volume 1. A intensão do artista ouro-pretano é a preservação da memória cultural mineira, nesse primeiro volume são retratados 101 artistas, e a renda está sendo revertida para o Hospital da Baleia em Belo Horizonte. Para contribuir com a causa entre em contato com Túlio Desenhista no Instagram.



Confira abaixo entrevista na íntegra de Túlio Campos para o Jornal O Decolonial

arte : @TúlioDesenhista

Começo de tudo.


"Surgiu na infância quando eu tinha 5 anos, meus pais já deixavam eu rabiscar as paredes de casa com giz de cera (risos). Aos 10 anos eu ganhei meu primeiro caderno de desenho, no qual comecei a fazer desenhos do Dragon Ball Z, daí pra frente eu fui tomando gosto pela área, e fui desenhando cada vez mais, praticamente todos os dias da minha vida."

Sobre a arte ouro-pretana e suas inspirações


"Ouro Preto sempre me inspira. É uma cidade repleta de artistas, sempre gostei de ver os quadros dos artistas plásticos que ficam expostos em galerias e nas ruas. Na feirinha de Pedra Sabão tem muitos artesãos e artesãs que fazem trabalhos incríveis. E na parte musical posso destacar o movimento de samba, choro que costumo acompanhar mais através do Trio Choro Negro e o Samba na Madeira. Tem o RAP também com a galera da Cena é Noix, as bandas, e orquestra Ouro Preto, tem o Candonguêro.
Sem contar com os inúmeros museus do Oratório, Inconfidência, Boulieu, Casa dos Contos. O que eu sinto muita falta é o Cine Vila Rica aberto, atualmente os filmes são exibidos no anexo do Museu da Inconfidência, mas perdeu muito a magia na minha opinião, sinto falta da telona, daquele ambiente cinematográfico."

Anielle Franco- arte : @TúlioDesenhista

Lutas e sonhos.


"Todos que tem um sonho, corram atrás dele sempre, eu já trabalhei com diversas áreas, e me encontrei na ilustração, é a minha maior paixão. Com o desenho consigo expressar o que eu sinto, o que o país precisa melhorar, consigo questionar o governo, abrir a mente das pessoas, e poder viver do que eu crio, do que eu desenho, não tem preço. Hoje sou muito mais feliz trabalhando integralmente com a ilustração. Quando se faz o que ama você se entrega completamente. Eu sempre sonhava em trabalhar como ilustrador e designer gráfico. Atualmente com 31 anos já realizei alguns sonhos, ilustrei 3 livros, algumas capas de músicas de artistas como do Ezkiel e da Bárbara Pappert. O desenho vem do berço, na minha família meu irmão também desenha, meus pais, e tenho muitas tias que também desenham, pintam quadros incríveis. Eu sempre me joguei quando se trata de ilustração, desenho de tudo um pouco, com grafite, nanquim, tinta acrílica, aquarela digital, vetores, amo todas as possibilidades.
Eu me inspiro através do que eu absorvo durante meu dia a dia. Lancei um livro chamado Artistas Mineiros Volume 1 em 2018, a ideia surgiu depois que o letrista Fernando Brant partiu, resolvi fazer esse livro para preservar a memória cultural mineira, nesse volume 1 contém 101 artistas, e a renda está sendo revertida para o Hospital da Baleia de BH.
Em relação as lutas, são todos os dias de muita entrega. Eu desenho pelo menos de 2 a 3 desenhos diariamente, faço projetos paralelamente com minhas encomendas, além de preocupar o tempo todo com as causas sociais, ambientais e culturais do nosso país. Vira e mexe eu faço algumas charges, e desenhos em apoio ao nosso país. Sonho um dia ver esse mundo menos desigual, que o racismo acabe um dia, toda forma de preconceito desapareça, e que eu possa viver dos meus desenhos, e respeitado pelo o que eu sou."

Célia Xakriabá arte : @TúlioDesenhista

Qual o exemplo de superação você gostaria de deixar para as pessoas que tem um sonho? E como podemos pensar políticas públicas de inclusão e respeito para pessoas com espectro autista?


"Nunca deixe ninguém tirar o brilho dos seus olhos, faz o que você ama e seja feliz."


"Recentemente fui diagnosticado com autismo, e é outra bandeira que defendo com muito orgulho. Sempre fui excluído de ambientes acadêmicos e sociais, por eu ser comunicativo, ter um olhar artístico, uma sensibilidade mais aguçada que a maioria das pessoas. Talvez esse mundo ainda não esteja preparado pra receber nós do espectro autista, tem muita gente que tem que aprender a respeitar não só os autistas mas todas as pessoas que tem algum tipo de transtorno, deficiência, alguma limitação, que esse mundo tenha mais empatia um dia.
É muito importante falarmos sim sobre o autismo. As pessoas ainda tem muito receio e preconceito sobre o assunto. Muita gente acha que o autista é aquela pessoa que não consegue fazer nada sozinho, super dependente de alguém, que não consegue olhar nos olhos, e nem estar em ambientes sociais. Que é mentira, pois existem inúmeros tipos e graus no espectro autista. Tem o grau leve, moderado e severo. Eu sou autista e consigo fazer muita coisa, cozinhar, frequentar ambientes sociais, trabalhar com minhas ilustrações, o autismo não é doença, você apenas enxerga o mundo de outra forma, eu tenho os sentidos mais aguçados que as demais pessoas, escuto mais, meu olfato é mais apurado, e emocionalmente eu sinto tudo mais também, as notícias ruins, quando veio a pandemia e por ai vai.
Em relação as políticas de saúde mental. Quero deixar aqui minha opinião. Que todas as pessoas que tenham algum tipo de transtorno seja autismo, TDAH, o qualquer outro tipo sejam respeitadas, e que tenham um salário fixo mensal.
Pois eu por experiência própria, em todos os lugares que trabalhei, não passei de 3 meses. Pois eu tenho muitas limitações, isso me atrapalha na execução das tarefas, por eu escutar muito, ser muito comunicativo, e ter uma sensibilidade muito alta, eu acabo sempre tentando defender um funcionário de um ataque racista, ou de uma fala grosseira, o barulho durante o serviço do dia a dia, me incomoda, tudo eu escuto alto, alguém batendo uma caneta na mesa, a xícara do café brindando, as conversas paralelas, estou falando tudo isso pra que as pessoas entendam que não é fácil.
Mesmo assim tentei trabalhar em todos os tipos de trabalhos e vi não tinha jeito, fui estoquista de um supermercado, garçom em restaurante japonês, e depois ne pizzaria, trabalhei como designer gráfico também numa empresa de comunicação visual, mesmo sendo da minha área começaram a me mandar fazer tudo em setores que não eram o meu, isso me desgastou muito.
A ilustração já me deu oportunidades que nenhuma outra área me daria. Já estive em diversas escolas conversando com as crianças sobre desenho, já visitei também APAE, azilos, e todos os lugares sempre fui muito bem recebido. E estive com diversos artistas que admiro e me inspiram, como Elza Soares, Vander Lee, Maria Bethânia, Lenine, Jorge Ben Jor... Só tenho que agradecer por tanta vivência."

Foto : Jornal O Decolonial

Confira o trabalho de 'Túlio Desenhista' nas redes sociais :


Entrevista Decolonial

| Redação | Jornal O Decolonial |

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