DDL Decolonial | Jovem escritora mineira lança livro com narrativas no feminino.
DDL/Dica de Leitura | Jornal O Decolonial entrevistou Deborah Sousa, autora do livro "Histórias de todas famílias" uma reunião de contos sob olhares e narrativas femininas.

Deborah Sousa é mineira de Belo Horizonte, psicóloga formada pela Ufmg e atualmente cursa Letras na mesma instituição. Apaixonada por relatos de famílias e do cotidiano, este é o primeiro livro de contos da autora, lançado pela Editora Crivo.
A Historia de Todas as famílias é um livro de contos cujas narradoras são, em sua maioria, mulheres de idades distintas, observadoras da vida, do mundo, do ser mulher em meio a tanta coisa. A autora escreve sobre famílias, sobre a relação com o corpo e o cotidiano, sempre rico a olhos curiosos e questionadores.
O Jornal O Decolonial conversou com a escritora mineira Débora Sousa que falou com a gente sobre o lançamento de seu primeiro livro de contos e de suas influencias no campo literário. Confira a entrevista na íntegra :
Quais são suas referências femininas na literatura?
"Nos últimos anos tenho lido muitas contistas que me identifiquei, como Alice Munro, Lucia Berlin, Chimamanda Ngozi. Adorei a escrita de Toni Morrison também, sinto que tudo que leio me influencia, me encanta, me apresenta novas possibilidades narrativas e de relação com a linguagem. Ler se tornou uma boa forma de praticar a escrita. Ultimamente tenho me deliciado com as Crônicas de viagem de Cecília Meireles, quantas figuras de linguagem macias, palpáveis, deliciosas tenho encontrado nessas leituras. Ler é fundamental para quem quer escrever."
Como você se sente sendo uma jovem escritora mineira, com tantas histórias e coisas para contar?
"Sinto-me realizada de ter esse substantivo associado ao meu nome, à minha história. Escrever faz parte da minha essência, de alguma forma estou sempre pensando na escrita ao longo do dia, vejo alguma cena, observo algo inusitado ou mesmo muito cotidiano, reconheço algum sentimento, converso comigo mesma e minha primeira reação é tomar notas, escrever para não esquecer aquela potencial matéria-prima para um texto. Faço isso há muito tempo e creio que nesse hábito já surgia uma escritora latente. Sinto também que, a partir de agora, se abre um longo percurso pela frente, de desenvolvimento, novos textos e isso me deixa animada e ansiosa, me dá algo pelo que esperar da vida, acho que é isso: escrever me deu algo mágico que esperar da vida."

Como foi a escrita e a recepção do livro "A História de todas as famílias"? Como podemos a partir dele pensar a condição da mulher e o empoderamento feminino?
"A escrita foi fruto de alguns anos de ateliê de escrita, inicialmente não era um livro, nem eu achava que escreveria contos, mas a forma me escolheu na medida que as ideias se apresentavam para o papel. Recebi muitos retornos positivos do livro, pessoas se identificando, comentando contos específicos em que se enxergaram, em que sentiram a mesma coisa que estava escrita ali e isso foi incrível. Na escrita eu busco a universalidade, de forma que qualquer pessoa que leia um de meus textos possa se identificar com algo, experienciar o que está ali, encontrar elementos verossímeis que o façam sentir algo novo ou mesmo antigo. Nesse sentido, a história do autor, ou seja, quem sou eu, deixa de ser importante e o texto em si ganha relevância. O que escrevi nos contos do livro já não é mais meu e agora passa a ser de cada leitor e leitora que se aventurar por histórias de famílias, de mulheres diferentes, pela vida, se cada um encontrar algo que se identificou ali já me dou por realizada.
O livro tem um aspecto questionador no que se refere ao papel da mulher no mundo, na relação com seu corpo, com o afeto, com a família e traz isso em situações diversas da vida.
Deixo as conclusões do que isso significa para cada um, mas existe nessas palavras, pelo menos no meu lugar de leitora do que escrevi, um questionamento desse lugar da mulher e também as de nuances do que uma mulher pode experienciar ao viver."
Redação | Jornal O Decolonial |



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