Decolonial Esportes | Torcida Azul quer o Cruzeiro como acionista majoritário da SAF.
Atualizado: 16 de dez. de 2021
O Cruzeiro não tem dono. Leia na íntegra o manifesto da torcida Organizada Resistência Azul Popular.
DECOLONIAL ESPORTES | A nova Lei nº 14.193/2021, que cria a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) aprovada por Bolsonaro e o atual ministro da economia Paulo Guedes, já está sendo conduzida a toque de caixa no Cruzeiro Esporte Clube pela atual gestão Sergio Santos Rodrigues. No entanto uma parte da Torcida Azul Celeste e também do Conselho Deliberativo do clube desejam que o próprio Cruzeiro Esporte Clube seja o acionista majoritário na operação clube empresa. Abaixo a nota na íntegra da Torcida Organizada Resistência Azul Popular :

# Sou Torcedor Não Sou Cliente
"Depois de refrear a onda de elitização do Mineirão, que teve seu auge entre 2013 e 2015, a torcida cruzeirense enfrenta agora um novo ataque ainda mais agressivo vinculado à mercantilização do futebol. O presidente Sérgio Rodrigues convocou à toque de caixa uma Assembleia Geral com o objetivo de eliminar do estatuto a cláusula que garante o Cruzeiro como acionista majoritário de qualquer empresa por ele criada.
A manutenção da associação civil como principal controladora da SAF recém criada é um importante mecanismo de proteção que atua como obstáculo ao domínio do clube por grupos econômicos. Além disso, essa estrutura societária permite algum grau de participação dos associados nas decisões do futebol, como ocorre no reconhecido modelo alemão (50+1). Dessa forma, se manteria a possibilidade de uma abertura política efetiva que, de preferência, incluísse não apenas os associados do clube social, mas também os sócios-torcedores. Além de ameaçar a identidade associativa do clube, a proposta da diretoria vai na contramão de uma tendência nacional e internacional de aumento do protagonismo dos torcedores nas decisões dos clubes.
A diretoria alega que sem a mudança estatutária não conseguiria atrair investidores. Contudo, antes de se cogitar essa alteração, o próprio presidente já havia divulgado em outubro a existência de quase 20 grupos interessados em investir na SAF com acordos de confidencialidade assinados. Essa mudança abrupta no discurso levanta suspeitas sobre as reais motivações da pauta a ser votada no dia 17. Além disso, os vários exemplos de clubes que se mantém como acionistas majoritários de suas respectivas sociedades anônimas mostram que não passa de chantagem o discurso propagado por agentes do mercado financeiro de que “não há alternativa”.

Curiosamente, a extrema lentidão que caracterizou iniciativas anteriores de reforma estatutária e de punição de conselheiros envolvidos em irregularidades não ocorreu desta vez. Mesmo se tratando de um tema de grande relevância, a assembleia foi convocada às pressas, sem que houvesse qualquer discussão aprofundada com o quadro social. A inexistência de maiores detalhes sobre os moldes do futuro acordo a ser fechado com um possível investidor transforma a votação da próxima sexta em uma verdadeira carta branca a ser dada à diretoria.
Na pior das hipóteses, é necessário garantir a possibilidade de recompra das ações, bem como a participação de representantes da associação civil no conselho de administração da SAF. Inicialmente, o estatuto da SAF criada pelo clube prevê essas cláusulas, mas é necessário que elas sejam referendadas pelo acordo de acionistas. Além disso, também é essencial que sejam criados mecanismos oficiais de participação dos sócios-torcedores, inclusive como forma de defender nossa cultura torcedora e evitar que um possível processo de elitização seja retomado."



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