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Dom Bosco de Cachoeira deteriora-se sem definição. Por : Mauro Werkema.

6 de mai. de 2022
3 min de leitura
Conheça o histórico das "Terras do Dom Bosco" em Cachoeira do Campo.
Foto: João Valadão Filho - Reprodução/Flickr

por : Mauro Werkema

mauro.werkema@gmail.com


Referência histórica e patrimonial de Cachoeira do Campo e monumento cultural mineiro, contemplado por sua imponente arquitetura por todos que transitam pela BR-356 que liga o Distrito a Ouro Preto, o antigo Colégio Dom Bosco, construído para ser o quartel do Regimento de Cavalaria da Capitania de Minas Gerais, aguarda definição de sua destinação que possa impedir sua deterioração e dar-lhe novas missões. Após polêmica judicial com o Ministério Público Estadual, que impediu sua venda a empresa imobiliária, o prédio histórico e 520 hectares de terras, pertencentes à Ordem Salesiana, gerenciada pela Inspetoria Dom Bosco, vencida pelos salesianos, o IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico) tombou o prédio, determinando sua preservação arquitetônica e determinando sua preservação e destinação de uso para fins culturais e ou educacionais. Tiradentes foi alferes de Cavalaria deste Regimento e seu comandante, o tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, foi também um inconfidente de 1789.


O historiador Diogo de Vasconcelos (“História Antiga de Minas Gerais”) diz que o então governador da Capitania, Martinho de Mendonça, em 1736, determinou a mudança para Cachoeira do Campo do quartel da Cavalaria, então em Mariana. Posteriormente, o governador José Luís de Menezes, que governou a Capitania de 1768 a 1773, determinou a construção de um casarão mais vasto para o quartel e cavalariças para “40 argolas”. A criação do Regimento Regular de Cavalaria de Minas, tropa paga, deu-se por Ordem Régia de Dom Antônio de Noronha, de 27 de abril de 1775, que reorganizou as forças militares da Capitania. Antes da construção definitiva, o quartel esteve na rua das Flores, onde é hoje o Colégio Dom Pedro II, só passando inteiramente a Cachoeira em 1779, com a conclusão do novo quartel. (Augusto de Lima, “Crônica Militar”, de 1969). Em 1816, dom João VI determinou a criação de cavalos de uso militar em Cachoeira. E dom Pedro I, que visitou o antigo quartel em 1822, incentivou a criação de uma coudelaria, de criação de cavalos. Dom Pedro II, também o visitou em 1881, em famosa viagem as Minas Gerais, decidiu doar o prédio ao então governador Afonso Penna, para criação da Colônia Agrícola Cesário Alvim, que durou apenas três anos.


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Afonso Penna decidiu então ceder prédio e terrenos à Ordem Salesiana, com o compromisso de manter instituição educacional. Por 100 anos a Ordem manteve o colégio Dom Bosco. As Irmãs Auxiliadoras, ligadas a Ordem, criaram um colégio para moças, que ainda hoje se mantém. Falido o Dom Bosco como internato, os salesianos tentaram uma hospedaria, que também não se manteve. Decidiram então pela venda, que chegou a ser realizada para empresa imobiliária de Belo Horizonte, sem quaisquer conversações com a comunidade de Cachoeira, o que gerou reação e a criação do movimento ”O Dom Bosco é nosso”, que teve o apoio do Ministério Público. A Ordem Salesiana ganhou todos os recursos na Justiça e mantém a propriedade.


A Policia Militar de MG e a UFOP chegaram a manifestar interesse pela propriedade. A PM diz que sua origem e o quartel de Cachoeira do Campo. Mas as negociações não prosperam. O Ministério Público, em ação judicial, pediu a devolução do prédio e terrenos ao Estado, alegando que os salesianos não cumpriam mais o compromisso de manter instituição educacional. Desde então os salesianos não informam o que pensam em fazer com o Dom Bosco, chegado a emprestar suas instalações para abrigar operários da Vale. E não se tem notícia do que pretendem fazer com o antigo prédio e todos os valiosos terrenos, situados as margens da Br-356, com ampla visibilidade de toda a região.

Cabe ao IEPHA fiscalização o prédio que tombou e cobrar dos salesianos sua manutenção e preservação, conforme o instituto do tombamento. E também ao Ministério Público Estadual. Cabe à Prefeitura de Ouro Preto levantar a questão e buscar soluções para salvaguarda do prédio.


por : Mauro Werkema

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