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Ministros divergem sobre política econômica e ajuste fiscal no governo Lula 4.

há 7 dias
2 min de leitura

Enquanto Durigan fala em contenção para acalmar os mercados, Boulos reafirma discurso de ampliação de investimentos sociais e rejeita cortes. 


BRASIL | O encerramento das urnas no segundo turno presidencial deu início a um forte debate sobre os rumos da política econômica do governo Lula 4. A discussão expõe visões contrastantes no primeiro escalão do governo, evidenciando divergências entre a responsabilidade fiscal exigida pelos mercados financeiros e as pressões populares por mais investimentos em políticas públicas.


Em declaração à jornalistas em Brasília, nesta terça-feira (27), Dario Durigan,atual Ministro da Fazenda de Lula revelou discussões com o Congresso e o setor privado para viabilizar ajustes no orçamento, não descartando contingenciamentos de despesas públicas.

“Nosso compromisso é com a responsabilidade fiscal, com a estabilidade fiscal e isso vai ser buscado com diálogo”, disse o ministro a jornalistas ao chegar, nesta manhã, ao Ministério da Fazenda.

O minsitro reafirmou o compromisso de buscar o centro da meta fiscal por meio do diálogo e da negociação com o Congresso Nacional e representantes do mercado financeiro e do setor privado e que as medidas serão anunciadas após aval do presidente Lula.


Por outro lado, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, manifestou-se publicamente contra propostas de ajuste fiscal focado na redução dos investimentos sociais. Em publicações nas redes sociais e em entrevista, Boulos enfatizou a mobilização de estudantes e movimentos de rua no segundo turno como o pilar da vitória eleitoral, argumentando que o resultado das urnas representa um recado direto pela expansão de serviços públicos.


"Quem está defendendo que Lula faça ajuste fiscal, cortando gastos em políticas sociais, não entendeu nada do que foi essa eleição. O Tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular. O candidato da Faria Lima perdeu e fugiu para os EUA. A agenda econômica do Brasil será a que venceu as eleições, não a que perdeu.", declarou Boulos, reforçando que o país deve seguir a agenda das ruas, direcionando eventuais contenções apenas a incentivos fiscais para grandes empresários e emendas parlamentares, preservando o orçamento de programas sociais.   

Durante o período eleitoral, a campanha de Lula defendeu mais investimentos nas áreas sociais impulsionado e economia através de investimentos públicos diretos. Ao priorizar a meta fiscal por meio da ampliação do contingenciamento e trava nas despesas, o governo adota um tom alinhado às exigências do mercado financeiro, aproximando-se da ortodoxia fiscal que a própria campanha criticava.



A coexistência de visões antagônicas no interior do governo coloca no centro do debate o papel do presidente Lula, a quem caberá a decisão final sobre a consolidação da política econômica e o formato final das medidas orçamentárias que serão enviadas ao Poder Legislativo.

 

Redação | Jornal O Decolonial |

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