Mulheres vão às ruas no 8M unificado em Ouro Preto. Confira o manifesto das Marias de Minas.
Manifestação Feminista vai ocorrer na praça Tiradentes e contará com movimentos de Mariana e Ouro Preto.

MULHERES EM LUTA | No próximo dia 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, Ouro Preto vai receber uma grande manifestação popular organizada pelas mulheres, um espaço de comemoração pelo avanços conquistados e na luta por novos direitos e avanços. O 8M será unificado entre os movimentos feministas de Ouro Preto e Mariana. A manifestação está prevista para ocorrer no dia 8 de Março (quarta-feira), na Praça Tiradentes a partir das 16H30. Confira abaixo o manifesto na íntegra.
8M – Marias das Minas em luta pela Vida Sem anistia! Contra todas as violências, desemprego e fome! Pela água pública e de qualidade! Por um novo modelo de mineração!
"2023 começou já mostrando a que veio: muitas expectativas e também muitas lutas da classe trabalhadora. Também pudera, a crise capitalista no mundo continua e a luta de classes está acirrada. Os vários grupos burgueses com suas variadas ideologias disputam o topo do poder. No Brasil, a ultradireita representada por Bolsonaro e sua corja sofreram uma derrota na eleição presidencial e também na frustrada tentativa de golpe, no dia 8 de janeiro. Mas precisamos ter em mente que ela não foi totalmente derrotada. Por isso, para esse bando, a palavra de ordem está sendo gritada alto e bom som: SEM ANISTIA!
Na luta contra a ultradireita, é importante lembrar que Zema foi reeleito em Minas, mesmo atacando os servidores públicos estaduais. Ele aplicou o projeto de Bolsonaro no nosso estado, não respeita o piso salarial dos servidores, desconsiderou os atingidos no acordo de reparação do crime da Vale em Brumadinho e continua no poder mantendo essa lógica de vender tudo do estado para a iniciativa privada. Seguimos denunciando seus ataques! Ele não pode ser a opção para o povo trabalhador nem em Minas, nem no Brasil!
Têm sido anos de ataques que os ricos impõem sobre nós, enquanto parte do nosso povo sofre com desemprego, falta de acesso aos serviços públicos e fome.
E como quem tem fome tem pressa, continuamos firmes na luta na defesa dos serviços públicos e do direito ao trabalho! Lutamos contra o Teto de gastos, a Reforma da Previdência, a Reforma Trabalhista, a Reforma Tributária e a Lei da Terceirização. É preciso revogar todas essas leis que são contra o emprego e os direitos das trabalhadoras e trabalhadores.
Na nossa região, dependente da mineração como resultado de uma política subserviente às grandes empresas do setor, nossa gente sofre na luta por reparação diante dos crimes e abusos dessas mineradoras. Por isso, repudiamos a violência sofrida pelas companheiras que lutam contra este atual modelo de mineração, que é de morte em vida, de violência e opressões, especialmente nos territórios de Antônio Pereira, Miguel Burnier e Amarantina. Todo apoio às pessoas e comunidades atingidas pela mineração!

Com o aumento da incidência de problemas de saúde mental no mundo todo, é fundamental que as prefeituras deem atenção e estruturem o setor no serviço público. Denunciamos a precarização da Rede RAPS diante do agravamento da condição de saúde mental da população local! É preciso mais profissionais e estrutura para atendimento aos pacientes! Seguimos na defesa do SUS! A saúde é um direito!
Outro direito sob ataque na nossa região a um bem que temos aqui em abundância: a água! Dizemos NÃO à privatização! Em Ouro Preto, destacamos o estelionato eleitoral em cima desse direito fundamental. Em Mariana, defendemos a estruturação do SAAE, mais transparente e democrático. Falta água nas torneiras das casas dos bairros pobres e periféricos, mas não falta no mineroduto que leva nossa riqueza embora!
Nós mulheres estamos em todas essas lutas! E, neste 8 de março, Dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora, continuamos defendendo a unidade da classe trabalhadora contra a exploração capitalista, e todas as formas de opressão!
Lutamos pelas nossas vidas!
Com o aumento da precarização e desemprego, aumentam também as violências contra as mulheres. Entre tantas, é importante denunciar o aumento da prostituição, que encara o corpo da mulher como mercadoria, enquanto falta a elas trabalho e condições de vida estruturada. Denunciamos também os casos de violência contra as mulheres e crianças que têm aumentado. Nós conquistamos a Delegacia de Mulheres em Ouro Preto, mas ainda não funciona em regime de plantão, o que dificulta a denúncia formal por parte das vítimas.
Nossa população LGTBQIAP+ ainda sofre com a ausência de políticas, com a discriminação. O Brasil é um dos países que mais matam por preconceito! Estudos demonstram que, a cada 27h, uma pessoa é assassinada pela questão de gênero. Em 2021, pelo menos 316 pessoas perderam a vida por serem da comunidade LGTBQIAP+. Pelo fim do conservadorismo moral sexual! Estamos em defesa da Diversidade!
Acontecem muitos ataques contra nossa classe, contra nós mulheres trabalhadoras, mas ainda assim, nós nos levantamos! Resistimos diante das condições de miséria e pobreza que as classes dominantes nos impõem! Nós resistimos em passeatas, greves e levantes. Em Ouro Preto, Mariana, no mundo todo!
No dia 8 de março, estaremos mais uma vez, nas ruas, em unidade, lutando contra os retrocessos, pelos nossos direitos, pelas nossas vidas.
Mulheres trabalhadoras em luta pela vida, juntas, construindo a revolução!"




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