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Na maior enchente registrada da história de Amarantina a tragédia poderia ter sido pior.

21 de out. de 2021
6 min de leitura

Atualizado: 14 de nov. de 2021

População e Associação da Moradores reclamam da atuação da SaneOuro durante a enchente no distrito. Cheia do Rio Maracujá destruiu duas casas na beira rio, felizmente não houve nenhuma vitima fatal.

Foto : Jornal O Decolonial

O Jornal O Decolonial esteve hoje no distrito de Amarantina para apurar e ver de perto a situação dos atingidos pela maior enchente da história do distrito. Segundo informações e entrevistas concedidas pelos moradores antigos de Amarantina e também de funcionários da prefeitura à nossa redação, nunca o volume de água foi tão grande e em tão pouco tempo como da chuva do dia 18 de Outubro deste ano. De acordo com a Defesa Civil do Estado de Minas Gerais, choveu o equivalente a 200mm na região. O grande volume de água provocou o transbordamento do Rio Maracujá. Relatos de pânico e horror foram dados pelos moradores que escaparam com vida da enchente. O volume de água aumentou rapidamente, em cerca de 10 minutos as casas estavam tomadas pela água do Rio Maracujá, moradores tiveram que sair as pressas de suas casas, os que não conseguiram sair a tempo tiveram que se abrigar nas lajes e telhados das residências. Com a ajuda de uma retroescavadeira cedida pela Pedreira Irmãos Machado os moradores conseguiram sair com vida do local.


Foto Jornal O Decolonial

O cenário é triste, muita lama e entulhos nas ruas, geladeiras sofás, armários televisão, móveis, roupas e pertences dos moradores estão sendo empilhados ao lado do campo de futebol do distrito, formando uma pirâmide de lixo do que restou da enchente.


O Jornal O Decolonial ouviu moradores e o secretário de Assistência Social de Ouro Preto para tentar entender melhor como foi a enchente e também quais as medidas e ações estão sendo tomadas pelo poder público municipal. De acordo com Vicente Lana que é morador da rua Olaria e fez aniversário no dia da tragédia, fica a dor do momento e a esperança de reconstruir" "Perdi três guarda roupas, duas cômodas, 3 estantes o portão da minha garagem, então estou ai com as graças de Deus vivo, porque os bens materiais a gente recupera" .Tivemos muita ajuda , o povo aqui é muito solidário" A moradora de Amarantina Ana Maria Moreira perdeu tudo e falou com nossa equipe sobre os momentos de tensão vividos no dia 18 de Outubro. " Foi um terror, a gente perdeu tudo, se a gente não tivesse o terraço tinha morrido todo mundo, a sorte é que foi de dia , porque se fosse a noite tinha acabado todo mundo. A gente viu a enchente entrando daquele jeito, a água subiu 6 degraus no meu terraço. Estamos recebendo doações de produtos de limpeza , roupas , calçado , já ganhamos roupa de cama, graças a deus está vindo bastante doações para a gente. Na minha casa nunca tinha entrado , essa foi a maior chuva que eu já por aqui há 40 anos."


Foto : Jornal O Decolonial

Segundo Waltenir Alexandre, mais conhecido como "Nenem" e atual presidente da Associação da Comunidade Nossa Senhora Aparecida falta apoio do poder público municipal e também da Saneouro " A gente estava precisando muito do apoio da prefeitura municipal de Ouro Preto na verdade não vieram nos ajudar, podem ver que os entulhos estão todos ali ainda, já são três dias de entulho e eles não cederam ainda o caminhão para estar tirando isso ali. Aqui a gente conta com as empresas Irmãos Machado e outras ajudas que vem de Itabirito" Sobre a atuação da Saneouro durante a tragédia Nenem afirma: "A Saneouro é uma empresa nova que falaram que está chegando aqui na região para estar nos ajudando, mas muito pelo contrario, eu como presidente de bairro vi que ela não está fazendo nada, todas as casas que foram afetadas aqui estão sem água há 3 dias, os caminhões pipa deles não vieram aqui abastecer o pessoal. Hoje na casa do pessoal você vai ver que as torneiras estão vazias." Moradores falam que a empresa Saneouro e a prefeitura de Ouro Preto não disponibilizaram caminhões pipa para abastecer a região mais critica do transbordamento, segundo moradores a agua chega de Itabirito e das doações da Pedreira Irmãos Machado.


O presidente da Associação disse também que a escola municipal Major Raimundo Felicissimo tem tido um papel fundamental no processo de acolhimento das vitimas e atingidos pela cheia do Rio Maracujá. servindo almoço, jantar e entregando as doações que chegam de todas as partes dos estado de Minas Gerais.


Foto : Jornal O Decolonial

O Jornal O Decolonial ouviu o atual secretário municipal de Assistência Social de Ouro Preto, Edvaldo César Rocha que falou um pouco das ações que estão sendo realizadas na ação social em relação a tragédia em Amarantina. "Nós estamos numa frente de trabalho atuando perante uma catástrofe que Amarantina sofreu. Amarantina foi acometida por uma tromba d´água pelo que tudo indica, causando a enchente na parte baixa, chamada beira rio, nessa região as casas foram tomadas pelo barro. Então muitas famílias foram realocadas de suas casas, imediatamente a prefeitura foi acionada e em conjunto com a ação social e a educação conseguimos este abrigo temporário. Estamos aqui organizando as doações de donativos e roupas, a nossa secretaria também disponibilizou cesta básica para as famílias atingidas e também com apoio da comunidade nós recebemos mais doações de alimentos. Temos apoio da secretaria de saúde para fazer a detecção de problemas de saúde ou infecções causadas pelas enchentes. Tudo indica pelos trabalhos aqui e segundo os engenheiros da defesa social que as casas não foram abaladas estruturalmente, foram mais tomadas mesmo pela água e pela lama, acredito que em breve a maioria das pessoas irão poder voltar por suas casas. Pelo que parece duas casas foram atingidas e caíram, estas famílias já estão sendo acompanhadas pela assistência social, e não só essas como todas as famílias que foram vitimas da enchente. elas estão sendo acompanhados pelos assistentes sociais onde eles fazem entrevista e cadastro para verificar as necessidades de cada família, as famílias tem sido bem honestas e pedem somente aquilo que necessitam. Quero registrar aqui que o apoio da comunidade local tem sido muito forte, separando as roupas e alimentos, tem sido um trabalho comunitário muito bonito, e a prefeitura está aqui dando apoio e sua força naquilo que é necessário."


Foto : Jornal O Decolonial

Em um estado como Minas Gerais com muitos rios, vales e montanhas as "cabeças d'água" ou trombas d'água se tornam perigosas, é necessário que haja planos de prevenção e monitoramento dos rios. Nesse caso em específico, foi alertado pelo Jornal O Decolonial em matéria publicada dia 12/10, que fortes chuvas estavam sendo esperadas na região e que o nível de alerta exigia cautela. No entanto, mesmo com os planos de contingencia aprovados e a alerta do INMET, a Defesa Civil de Ouro Preto não conseguiu evacuar as casas no leito do Rio Maracujá a tempo e a tragédia poderia ter sido pior. Moradores relatam que o salvação daquelas famílias aconteceu porque ainda não era noite e as pessoas estavam acordadas e conseguiram sair de suas casas e se abrigaram em segurança, outras subiram as lajes e foram auxiliados por retroescavadeiras para serem evacuadas com vida. Nenem, presidente da Associação disse que desconhece qualquer tipo de alerta dado pela Defesa Civil de Ouro Preto em relação ao leito do Rio Maracujá e afirmou a nossa redação " Em momento nenhum a gente foi alertado, se a defesa civil sabia disso guardou para ela. É importante frisar que a Defesa Civil de Itabirito chegou primeiro aqui para ajudar a gente, Itabirito ajudou de todas as formas com ajuda de caminhão pipa e a prefeitura de Ouro Preto ainda não ví mandando nenhum caminhão pipa para nossa comunidade."


Foto: Instagram/Patrick

Várias iniciativas de apoio e solidariedade estão sendo organizadas em todo o estado a favor dos moradores e atingidos pela enchente em Amarantina. O Jogador do América/MG, Patrick, esteve em Amarantina e doou 100 cestas básicas para os atingidos, segundo noticiou o site Mais Minas sobre ida do jogador ao distrito de Ouro Preto. O jogador do América/MG falou da importância de gestos de solidariedade nesse momento: “Fomos à Ouro Preto para fazer bem ao próximo, muitas pessoas perderam os seus lares. Entregamos as cestas básicas e ouvimos a necessidade das pessoas, como elas estão passando por esse momento difícil. Muitas pessoas perderam tudo o que têm. Crianças também estão desabrigadas, sem casa, sem roupa. Então, lá estão recebendo doações, como cobertor, roupa, água mineral e tudo mais”, disse Patrick.


O Jornal O Decolonial esteve na comunidade de Amarantina e conversou com moradores sobre a situação recorrente de enchentes , falta de água e tratamento de esgoto precário no distrito. Nossa cobertura decolonial de catástrofes e fatalidades como essa que ocorreu em Amarantina não irá se pautar pelo sensacionalismo ou pela "indústria de likes" que as notícias de tragédias, acidentes e falecimentos geram na internet. Na pauta especifica das enchentes e deslizamentos de terra, que infelizmente sabemos que irá se repetir em nossa região, pretendemos enfatizar o caráter preventivo e as ações que possam ser realizadas antes dos períodos de chuvas para que não percamos mais vidas e sonhos para algo tão importante e elementar para nós, que é a água em abundância que corre nos rios das Gerais.


Redação I Jornal O Decolonial I

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