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OPINIÃO | A vergonhosa visita de uma falsidade histórica.

9 de abr. de 2022
2 min de leitura

Atualizado: 22 de mai. de 2022

A Monarquia acabou mas a gestão municipal em Ouro Preto insiste em revivê-la.

A comemoração realizada pela prefeitura em comemoração aos 200 anos da proclamação de Vila Rica por Dom Pedro poderia ter sido um novo marco de valorização dos saberes tradicionais e de resistência negra em Ouro Preto, nesse bicentenário de proclamação. No entanto o atual prefeito Angelo Oswaldo, que conhece bem a historia e suas diversas concepções, optou por contar a historia sob viés dos colonizadores e escravocratas.


Em evento intitulado "Proclamação de Vila Rica", que aconteceu hoje em Ouro Preto com apoio do Museu de Ciência e Técnica da UFOP o convidado de honra foi João de Orleans e Bragança, representante da família que se auto intitula "família real brasileira" em pleno século XXI e chamado pela atual gestão do executivo municipal de "Príncipe" e "Vossa Alteza Imperial".


A auto- intitulada família real brasileira defende valores tradicionalistas, patriarcais da época da monarquia no Brasil, defendem ainda valores morais e religiosos que remontam a comportamentos e concepções dos séculos passados, onde as elites e as cortes subjugavam e massacravam saberes e tradições do povo escravizado e dominado pela coroa.


A dita "Família real" atualmente são verdadeiros representantes do conservadorismo político, social e econômico no Brasil, flertam com Bolsonaro, outra figura pública que ataca recorrentemente a comunidade negra, sua historia e memória coletiva.


A farsa da família real ainda sobrevive no Brasil a partir de um imposto da época imperial que persiste na cidade de Petrópolis, conhecido como laudêmio, imposto que garante porcentagens financeiras nas transações imobiliárias na cidade de Petrópolis. Atuam hoje, como atuaram antigamente surrupiando recursos da maioria do povo trabalhador, aqueles que realmente constroem as riquezas e o patrimônio nacional com trabalho e sacrifício todos os dias no Brasil.


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Nenhuma entidade representativa do povo negro de Ouro Preto foi convidada para confraternizar o bicentenário, mesmo a população negra de Ouro Preto sendo aproximadamente 70% da população local, segundo dados do IBGE. Aqueles que construíram com suor, luta e sob os ataques das chibatas da monarquia sequer foram chamados para a cerimônia que ressalta toda a arquitetura e patrimônio cultural local nesses duzentos anos de Vila Rica.


Professores do Curso de História da UFOP se manifestaram e assinaram um documento fazendo diversas ponderações históricas e criticas ao caráter reacionário do evento realizado hoje, existe também uma grande insatisfação entre organizações de esquerda da cidade e entidades que representam o movimento negro em Ouro Preto.


Henrique Antunes

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