6 ANOS DE LAMA I Protestos marcam os 6 anos do crime da Vale/Samarco em Mariana.
Atualizado: 11 de dez. de 2021
O povo mineiro não se esquecerá. A história está ao nosso lado e um novo modelo de mineração florescerá.

No dia 05 de Novembro de 2015 acontecia um dos maiores crimes biosociais da história da mineração no país, o rompimento da barragem de Fundão em Mariana/MG. Quatro anos adiante mais um crime dessa vez na Mina do Córrego do Feijão em Brumadinho/MG, esse porém ainda mais grave, com centenas de vitimas humanas, animais, e danos familiares e sociais irrecuperáveis. Crimes que o povo mineiro se nega a esquecer, se a época em 2015 os governos estadual e federal deixaram barato para a mineradora e contemporizaram com a Vale/Samarco, alegando fatores econômicos, o povo atingido e os movimentos sociais nunca deixaram de lembrar e lutar contra os desvios e crimes ambientais praticados pelas mineradoras.

O rompimento das barragens de Fundão e Córrego do Feijão geraram luto, comoção e grandes traumas para o povo mineiro, entretanto esses crimes simbolizam um marco, um BASTA ao abuso das mineradoras em nosso estado. Somos maiores, mais fortes e somos pessoas que juntas podemos enfrentar a mão invisível do mercado e o interesse de uma minoria que controla toda a produção minerária no Brasil. Esse trauma coletivo e histórico gerado pelo crime social e ambiental da Vale S.A em Mariana e Brumadinho nos ensinaram que somos de fato os verdadeiros donos do minério e de nosso próprio destino e podemos sim pensar em um novo modelo de mineração para o Brasil.
Muitas redes e frentes de luta e apoio aos atingidos foram criadas. As universidades públicas de Minas Gerais enfim foram convocadas a se posicionar mais firmemente nessa questão a favor da maioria da população e dos setores que devem ser representados pelos conhecimentos produzidos nas universidades públicas. Grupos e movimentos sociais históricos que lutam contra a mineração predatória ao lado dos atingidos por barragens ganharam fôlego novo para lutar em defesa dos atingidos e por um novo modelo de mineração no Brasil. Enfim, nesses 6 anos a consciência ambiental e classista em relação a mineração aumentou no estado de Minas Gerais.
Hoje dia 5 de Novembro de 2021, seis anos depois, Mariana amanheceu de luto, em luta mais uma vez contra os desmandos e crimes da Vale S.A, em defesa da população atingida de Bento Rodrigues e demais comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão em Mariana. A Vale S.A quer esquecer e passar uma borracha histórica nesse crime, a empresa materializou esse desejo de apagamento histórico e foi capaz de inundar e colocar debaixo d'água as ruínas do "antigo Bento", termo usado pela mineração para se referir a Bento Rodrigues, contrastando com o "Novo Bento", termo também cunhado pela mineração.

No bairro São Cristóvão em Mariana manifestantes e trabalhadores em conjunto com o sindicato MetaBase Inconfidentes fizeram um grande trancasso nas rodovias que dão acesso às minas da Vale S.A, relembrando a população dos crimes da Vale/Samarco e também para reivindicar melhores condições trabalhistas e de remuneração para os trabalhadores da empresa em Mariana. Outro setor que se somou nas manifestações em defesa dos atingidos foram os motoristas da UniVale que também reivindicam que suas pautas trabalhistas sejam aceitas pela empresa terceirizada da Vale S.A.
A sede da empresa Samarco em Mariana também foi alvo dos manifestantes de diversos movimentos entre eles o MST, MAB e o MAM. que reivindicam reparação e respeito aos atingidos e atingidas pela mineração predatória, que mesmo depois de 6 anos continuam na justiça e na luta, aguardando reparação moral e material por parte das empresas envolvidas no rompimento da barragem de Fundão em Bento Rodrigues.
Redação I Jornal O Decolonial I



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