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Reitoria da UFOP se posiciona contra racismo e presta solidariedade a Célia Xakriabá.

5 de mar. de 2023
2 min de leitura

A reitoria da Universidade Federal de Ouro Preto publicou uma nota de solidariedade a deputada vítima de racismo em Ouro Preto.

Foto : Mylena Gonçalves - UFOP

UFOP | A Universidade Federal de Ouro Preto, principal instituição de ensino superior da Região dos Inconfidentes se posicionou rapidamente sobre o triste fato de racismo ocorrido ontem na cidade de Ouro Preto. A reitora Cláudia Marliére e o vice-reitor Hermínio Nalini Junior soltaram uma nota conjunta em solidariedade a deputada federal Célia Xakriabá.


A visita de Celia Xakriabá em Ouro Preto foi marcada negativamente por um caso de ofensa racial sofrida pela deputada no restaurante Sebastião no centro histórico de Ouro Preto. As ofensas partiram de uma mesa de bolsonaristas, que incluía policiais civis. Os clientes, que eram turistas na cidade de Ouro Preto, estavam no local e com deboches e ofensas raciais, questionaram de forma irônica as roupas de Célia e suas assessoras, que também são indígenas. A Polícia Militar foi acionada pela deputada que registrou boletim de ocorrência. Confira abaixo a nota da UFOP na íntegra.


Manifestação de solidariedade à Deputada Federal Célia Xakriabá.

"A Universidade Federal de Ouro Preto, ao repudiar qualquer forma e ato de racismo, vem manifestar solidariedade à deputada Federal Célia Xakriabá e suas assessoras indígenas, que sofreram constrangimento proferido por alguns turistas em um restaurante localizado no centro histórico da cidade.

As raízes profundas do Brasil Colônia que naturalizavam uma falsa inferioridade dos indígenas que aqui viviam, incentivadoras de inúmeros genocídios tipificados ao longo de nosso doloroso processo civilizatório, infelizmente continuam vivas.

Isso significa que crises e sofrimentos experimentados ao longo dos anos ainda persistem, a exemplo do caso dos Yanomami, e constrangimentos rotineiros contra representações que lutam para que isso não mais ocorra, seja aqui, seja acolá. Por isso, não podemos aceitar o mínimo retrocesso de qualquer avanço conquistado ao longo desses anos.

O ato também pode estar carregado por aspectos de misoginia. Os mesmos opressores que tentam sufocar a ascensão das referências dos nossos povos originários, também tentam restringir o posicionamento das mulheres em posições de destaque.

Ouro Preto, símbolo da opressão contra os povos Bonrum Kren, que aqui viveram durante o Ciclo do Ouro, precisa virar a página do preconceito, não podendo ser mais palco da intolerância racial em pleno Século XXI.

A esperança que manifestamos para essa mudança paradigmática, no entanto, se dá, por exemplo, na própria reação da proprietária e funcionários do restaurante onde ocorreu o episódio, colocando-se ao lado das indígenas, segundo relatos de membros de nossa comunidade que estavam presentes no local naquele momento constrangedor, o que nos fortalece a reforçar o clamor por justiça."

Cláudia Marliére – Reitora

Hermínio Nalini Junior – Vice-reitor



Redação | Jornal O Decolonial |



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