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Religiosidade ancestral e educação antirracista marcam 21 de Março em Ouro Preto. | ODecolonial.com

22 de mar. de 2023
3 min de leitura

Atualizado: 29 de mar. de 2023

Conversamos com NêgaSid Du Veloso, pesquisadora e ativista do movimento negro ouro-pretano. "Ontem foi um dia de luta e resistência, um dia para entrar para a memória de Ouro Preto." afirmou.

créditos: Sidnéa Santos - NêgaSid Du Veloso

ANTIRRACISMO | 21 de Março foi um dia de intensas atividades e debates em torno do antirracismo e da resistência negra em seus vários aspectos, religioso, cultural, político e na educação.


Além de ser o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial a data marcou os 20 anos da Lei 10.639, também foi realizada na Praça Tiradentes, uma manifestação inédita em defesa das religiosidades de Matrizes Africanas em Ouro Preto.


Racismo religioso

A Praça Tiradentes recebeu ontem um ato em razão do Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé. Foi um espaço de celebração e afirmação contra o racismo religioso e pela valorização da cultura e religiosidades afro-brasileiras em Ouro Preto.

créditos: Sidnéa Santos - NêgaSid Du Veloso

créditos: Sidnéa Santos - NêgaSid Du Veloso

➡️ Conversamos a pesquisadora e militante do Movimento Negro de Ouro Preto, Sidnéa Santos, NêgaSid Du Veloso. Sidnéa é historiadora, atriz e produtora cultural, mestranda em história/UFOP e Pós-graduada em Cultura e Arte Barroca pela UFOP. Co-idealizadora do Projeto Patrimônio Afro-ouropretano/ Mina Du Veloso.


Sidnéa Santos, NêgaSid Du Veloso. Foto : Jornal O Decolonial

NêgaSid falou sobre esse dia marcante em Ouro Preto :

"Esse 21 de março é para entrar para história de Ouro Preto, é inédito você ter duas casas de candomblé na Praça Tiradentes celebrando a Lei, recém promulgada pelo presidente Lula, que traz o dia 21 de Março como um dia de luta e respeito às nossas religiões de matrizes africanas. Tivemos uma casa de Candomblé Angola e uma casa de Candomblé Ketu juntas. São casas que nasceram em Ouro Preto, embora tenham surgido no século XX e XXI, ainda remontam a essa luta contra toda essa perseguição e toda essa demonização das nossas religiões. Muitas vezes tivemos que sobreviver escondidas e hoje nossas religiões foram para a praça principal de Ouro Preto reivindicar nossos direitos, reivindicar nosso lugar, reivindicar respeito. Temos que refletir também sobre quais são as estratégias de dominação que foram usadas durante séculos para que nossas religiões não tivessem lugar, não tivessem o direito de serem praticadas livremente. E nessa cidade que ainda se propõe a celebrar a elevação de "imperial cidade" ainda temos muito o que descolonizar e decolonizar. Ontem foi um dia de luta e resistência um dia para entrar para a memória de Ouro Preto"

20 anos da Lei 10.639 - O que temos a comemorar?

Outra atividade realizada em Ouro Preto ontem (21) foi a mesa redonda proposta pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI-UFOP) e a Prefeitura Municipal de Ouro Preto, que debateu os 20 anos da Lei, que tornou obrigatório, no currículo escolar, o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Lei 10.639. Sobre essa atividade, que reuniu dezenas de pessoas no Anexo do Museu da Inconfidência, Sidnéa classificou como "necessária" e importante para estudantes e cidadãos.


"Um espaço extremamente necessário, lá você tinha alunos de várias escolas públicas de Ouro Preto, escolas dos distritos, como o EJA de Cachoeira do Campo, aprendendo que nós, pretos, temos direitos. Que cotas não são esmolas, que a lei 10.639 é essencial para o nosso futuro enquanto cidadãos, enquanto estudantes. Realmente um dia histórico para Ouro Preto ter a celebração dos 20 anos da lei 10.639 e ao mesmo tempo ter as casas de candomblé tomando a praça principal da cidade nessa luta por respeito. A gente não quer ser tolerado, eu sou uma mulher preta de candomblé, eu não quero ser tolerada, eu quero ser respeitada."

21 de Março - Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial

A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 21 de março como o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial. A data foi escolhida em memória às vítimas do chamado “Massacre de Sharpeville”, ocorrido na província de Gautung, na África do Sul, durante o regime do Apartheid, para que marcasse a importância dessa luta contra a discriminação racial, que, até hoje, se faz presente de forma naturalizada no dia a dia e continua fazendo vítimas ao redor do mundo.



O Dia 21 de Março se soma a outras datas importante para o Movimento Negro como o Dia da Consciência Negra que é celebrado no Brasil no 20 de novembro. O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, dia 25 de julho, entre outra datas.


Confira link abaixo o Calendário Internacional da Cultura Negra da Fundação Palmares - www.palmares.gov.br


Redação | Jornal O Decolonial |


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