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Saúde Mental, uma análise sob a ótica do racismo estrutural.

20 de dez. de 2021
2 min de leitura

Atualizado: 22 de mai. de 2022

"É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a
realidade" – Nise da Silveira, psiquiatra brasileira.
Foto : CCS UFMG Medicina

O Caps e os cativeiros mentais

por : Raphael Francis


O CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) em Mariana, atende as demandas da população com sofrimento mental de todos os espectros, segundo a ciência e as boas práticas de humanização do atendimento ao paciente. De tão mesclado à nossa sociedade, as faces do racismo estrutural passam despercebidos por muitos, naturalizada por outros tantos e silenciada no interior de quem é vítima por não saber nomeá-lo.


Em qualquer dia, a sala de espera está repleta de gente negra. Mas as pessoas negras circulam em todos os lugares. No CAPS o que dimensiona a atenção é justamente a prevalência de pessoas negras em situação de vulnerabilidades sociais e sofrimentos psíquicos que não são absorvidos pela rede pública, pois esta calcada numa estrutura que não integra o racismo como problema central na matriz de atendimentos. Um problema da gênese escravista que se traduz em toda e qualquer instituição brasileira e na desigualdade que empurra para as margens essa população. Muitos pacientes ao serem abordados nos consultórios não correlacionam o racismo diário ao aumento dos problemas de saúde mental.


A questão essencial é a seguinte: o negro em tratamento não recebe um olhar acurado sobre os sofrimentos causados pelas demarcações raciais no dia-a-dia, que favorecem o aparecimento de toda sorte de problemas mentais e sua manutenção no cativeiro mental adoecido. Entre “doença de rico” e “pobre não tem depressão” e outros preconceitos abertos, assistimos a infeliz ausência de profissionais negros nos quadros da saúde mental marianense. Quando dizemos que representatividade importa, evocamos a empatia e a semelhança como pano de fundo da relação. Profissionais negros que se atentam às questões raciais podem perceber com maior densidade as lacunas não ocupadas nos diálogos silenciosos que os usuários não relatam. É necessário um giro na abordagem da atenção psicossocial fundamentada no ideário branco eurobrasileiro para um enfoque nos problemas causados pela discriminação cotidiana do negro na sociedade e sua contínua desclassificação moral e pessoal de que é vítima.


Redação | Jornal O Decolonial |

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