Privatização elevará o preço da água em Ouro Preto
Atualizado: 7 de out. de 2021
O resultado da privatização será o aumento da conta de água para o consumidor ouropretano.

Com o novo modelo de gestão, distribuição e tratamento das águas de Ouro Preto pela empresa SaneOuro a tendência é de aumento nas contas de água na cidade. Segundo moradores que tiveram os hidrômetros instalados em suas residências o aumento foi grande. A simulação para uma família de duas pessoas chega a ser R$ 700 reais mensais, aumento abusivo segundo moradores do Morro São Sebastião. Boa parte da população está insatisfeita com o novo modelo de concessão das águas de Ouro Preto e alguns bairros se organizam para barrar a instalação dos hidrômetros pela empresa. Moradores da Vila Aparecida, parte do bairro São Cristóvão e Veloso e de alguns distritos de Ouro Preto não aceitaram que suas residências fossem hidrometradas e denunciam a falta de diálogo e transparência por parte da prefeitura e da empresa SaneOuro.

As novas tarifas passam a valer somente quando a hidrometração completar 90% das residências da cidade, por enquanto a tarifa mensal cobrada para residências permanece R$22,00. "Se fosse para continuar como era antes, pagar 22 reais é justo, mas cobrar como eles estão querendo cobrar, nós não vamos aceitar" disse José Vicente morador da Vila Aparecida.
Wanderley Kuruzu, líderança do Movimento Sem Teto em Ouro Preto e vereador, em entrevista para o jornal O Decolonial afirmou que a privatização foi um grande erro por parte da antiga gestão municipal. O vereador afirma que "o preço da água irá aumentar, a qualidade do serviço é péssima e a única solução é a união do povo de Ouro Preto para exigir a ruptura do contrato com a empresa de capital coreano SaneOuro".

O movimento Fora SaneOuro é composto por vários segmentos e grupos políticos de direita e de esquerda que se posicionam contra a nova politica de gestão das águas em Ouro Preto. No dia 7 de Setembro esses grupos se dividiram, parte esteve na Praça Tiradentes no tradicional ato convocado pela esquerda denominado "Grito dos Excluídos". Outra parte esteve na estação ferroviária da Vale, em ato chamado pelo atual presidente Bolsonaro que defende bandeiras como a volta da ditadura militar, liberação do uso de armas para população e o fechamento do STF.
Posição da Prefeitura e do legislativo
O executivo municipal inicialmente se manifestou preocupado com alguns pontos do contrato, o atual prefeito defendeu em campanha eleitoral o fim da concessão e a remunicipalização do serviço, entretanto a SaneOuro continua operando e avançando com as obras na cidade, sem nenhuma sinalização mais firme do poder executivo. Diante dessa situação de impasse uma CPI foi criada na Câmera Municipal de Vereadores para apurar possíveis irregularidades e erros do contrato e na implementação dos serviços prestados pela empresa. Várias denúncias tem sido feitas por moradores em relação aos serviços mal prestados pela empresa SaneOuro, água suja e com mal cheiro, hidrometração feita de forma precária e improvisada, danos ao patrimônio histórico/cultural de Ouro Preto, como pedras das calçadas, calçamento e fachadas danificadas.
O acampamento Fora Saneouro está na praça há 68 dias e aguarda posição da CPI da SaneOuro e do executivo para desocuparem a praça.




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