MUNDO | Um ano de guerra. Brasil entra na mediação entre Rússia e Ucrânia por um acordo de paz.
Politica externa do governo Lula pede pela paz, posições recentes na ONU deram nova repercussão ao papel do Brasil na tentativa de mediar o conflito.

INTERNACIONAL | A Guerra entre Rússia e Ucrânia completou um ano de combates e um saldo devastador de quase 300 mil mortes e pouco entendimento entre a comunidade Internacional sobre os rumos para negociar o fim do conflito armado. A guerra se iniciou em 25/02 do ano passado, de um lado o bloco da Otan, liderado pelos EUA, auxilia a resistência militar ucraniana. De outro a Federação Russa com seu forte aparato militar investe contra os oblasts (estados) ucranianos, atualmente a Rússia domina militarmente 4 oblasts, Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhia.
Origens do conflito
O conflito se inicia entre os anos de 2013 e 2014 com o conhecido "Maidan Ucraniano", movimento politico de cunho ultranacionalista que conseguiu levar adiante um golpe de estado contra o presidente eleito, Víktor Ianukóvytch. Com o golpe e a eleição de Volodymyr Zelenskyy a Ucrânia se dividiu politicamente e duas províncias do leste ucraniano, descontentes com os rumos do novo governo, se rebelaram e se autoproclamaram independentes de Kiev.
Com apoio militar de Moscou que também anexou a região da Crimeia, importante base naval no Mar Negro, as regiões de Donetsk e Luhansk foram alvo de muitos ataques do governo central de Kiev durante anos, sofrendo com massacres, perseguições e desencadeando desde então uma guerra civil na região.
O estopim para a entrada da Rússia no conflito foram as negociações avançadas de Kiev para pertencer ao bloco da Otan, organização militar que defende basicamente os interesses geoestratégicos dos EUA e países europeus. A federação Russa conta com o apoio direto da Bielorrússia, país vizinho, que também alega estar sendo "esmagado" pela politica expansionista da Otan.
A guerra se inicia oficialmente, dia 25 de fevereiro 2022, com uma ofensiva russa cercando a capital ucraniana Kiev e com diversos momentos e intensidades diferentes a possibilidade de fim nos conflitos nunca existiu. O receio da comunidade internacional é o uso de armas nucleares, o que poderia escalar o conflito para patamares mundiais, com entrada de diversos países na guerra.

Brasil como mediador pela paz
Os esforços do Brasil em conter a guerra devem se chocar com diversos interesses geopolíticos e econômicos que impedem uma solução pacífica para o conflito. Rússia e China aliados no plano econômico e comercial são vistos como uma ameaça pelos Estados Unidos e países europeus, que desejam manter a hegemonia comercial e a influência tecnológica e científica sobre os países.
O governo eleito do presidente Lula e a nova política externa do Itamaraty mostraram maior pro-atividade na intenção de uma saída pacífica para o conflito, que se arrasta sem resolução. Em visita aos Estados Unidos Lula evitou se posicionar sobre o tema, e pediu pela paz em entrevistas com os meios de comunicação norte-americanos, Lula negou que enviará armamentos do Brasil à guerra na Ucrânia e afirmou :
“Agora é preciso encontrar pessoas para tentar ajudar a consertar. E eu, eu sei que o Brasil não tem muita importância no cenário mundial, nessa lógica perversa dos conflitos do mundo. Mas eu posso te dizer que eu vou me dedicar para ver se encontro um caminho para alguém falar em paz".
Nos bastidores, o Itamaraty, órgão responsável por conduzir a politica externa brasileira ,age para dialogar com os dois lados tentando uma nova mesa de negociações com países não envolvidos diretamente no conflito.
Com apoio do Brasil, a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou na última quinta-feira, 23, uma resolução que pede a retirada das tropas russas da Ucrânia, o que gerou intensos debates sobre o papel do Brasil como mediador do conflito.
A repercussão da participação do governo brasileiro nas tratativas pela paz tem sido positivas, o atual presidente da França, Emmanuel Macron, também sinalizou apoio a proposta de Lula, outros lideres globais avaliam se juntar ao Brasil nas negociações pelo fim do conflito.
Redação | Jornal O Decolonial |





Pra isso que fiz o