Coluna I Itabirito Inteligente I Jornal O Decolonial chega em Itabirito. Confira o primeiro texto.
O colunista José Roberto Vaz, morador de Itabirito, estreia a coluna apresentando o tema de gestões inteligentes e participativas no século XXI.

O desafio de tornar as cidades inteligentes.
Por : Zé Roberto Vaz
Em pleno Século XXI, as cidades brasileiras, cada qual com sua especificidade, enfrentam grandes desafios de ordem econômica e social, que interferem diretamente no seu desenvolvimento e na vida de seus cidadãos. Sendo assim, é essencial que os gestores públicos possam buscar soluções práticas e inovadoras, que proporcionem uma maior qualidade de vida a todos. Neste contexto, um dos conceitos mais discutidos atualmente, apontando caminhos para uma cidade plural, integrando ações eficientes e inovadoras, pautadas na conectividade, resiliência e sustentabilidade, é o de cidades inteligentes.
Elas consistem na concepção de um sistema urbano avançado, baseado na utilização de tecnologias da informação e comunicação, buscando otimizar a oferta de serviços públicos, pautada na melhoria da gestão econômica, da mobilidade e do meio ambiente, com foco nas pessoas e na sua qualidade de vida. O conceito de cidades inteligentes nos remete a uma visão futurística e tecnológica da polis, através da atuação de diferentes atores do espaço urbano, como governo e sociedade civil, na busca de soluções eficientes e inovadoras para os problemas da cidade.
Certamente, esta mudança de postura não é algo que irá acontecer da noite para o dia, pois é preciso que haja um planejamento das inúmeras ações e todas elas passam por um processo de construção coletiva. Por um lado, é preciso que os gestores públicos tenham uma visão técnica e também humanizada, uma mente aberta à cultura da inovação, compromisso com os princípios da sustentabilidade, da governança e da transparência. Por outro lado, cada cidadão deve entender que é ator principal deste processo e precisa exercer o controle social, com voz e atitude neste processo de transformação, garantindo sua participação na construção destas importantes políticas de diversidade e inclusão.

No caso específico de Itabirito, houve um crescimento significativo da população nos últimos 20 anos, além do surgimento de novos bairros e loteamentos, principalmente na região do São José, que atualmente conta um aglomerado de cerca de 15 bairros. Consequentemente, neste mesmo período, também houve um grande crescimento do número de veículos circulando em nossa cidade. E com o crescimento vertiginoso, também surgem novos problemas, que carecem de uma solução desafiadora. Dentre eles, a questão da mobilidade urbana, do transporte público coletivo, da moradia, do ordenamento urbano, do meio ambiente e dos equipamentos públicos. A gestão pública, com a mesma velocidade deste crescimento, precisa apresentar uma proposta resolutiva para estas transformações no meio urbano, com um planejamento de ações a curto, médio e longo prazo que se mostrem eficazes na realização das diversas políticas de melhoria da infraestrutura da cidade, implantando novos conceitos, que consigam ser dinâmicos frente aos desafios da atualidade.
A cidade, como um todo, precisa de um ponto de partida que possa indicar novos caminhos a serem percorridos e novas alternativas a serem experimentadas. Toda esta teoria precisa ganhar o seu ar de praticidade e fazer a engrenagem se mover. Aqui em Itabirito, por exemplo, existe um Plano de Mobilidade Urbana que foi elaborado entre 2013 e 2015 pelo Poder Público, com a finalidade de nortear as ações estratégicas de mobilidade e transporte urbano, mas que praticamente ficou no papel. A cidade tem um transporte público com baixo grau de eficiência e com constantes reclamações dos usuários, principalmente referentes a atrasos, descumprimento de itinerários e estado de conservação dos coletivos, sem falar que a fiscalização para o cumprimento das normas pela concessionária é ineficaz. Com tudo isto, o nosso trânsito vai ficando cada vez mais sobrecarregado e estamos andando na contramão da mobilidade urbana.
Fato é que Itabirito poderia estar bem melhor neste e em outros quesitos do que está hoje. Há muitas construções de políticas públicas intersetoriais que ainda precisam ser elaboradas, outras repensadas, outras executadas. A cidade não pode somente crescer em tamanho, ela precisa crescer em oportunidades voltadas para todos, indistintamente. Há um quadrinômio formado por vontade política, recurso financeiro, planejamento estratégico e engajamento popular que é um grande facilitador no desafio de tornar as cidades inteligentes. Quanto mais integrado e comprometido, maior a chance de estarmos conectados a toda esta gama de atitudes transformadoras, inclusivas e diversificadas para fazermos que a nossa cidade possa ser bem melhor para todos.
COLUNA I ITABIRITO INTELIGENTE I
Zé Roberto Vaz possui graduação e pós graduação em Gestão Pública.


Ótimo conteúdo!
Parabéns pelo artigo, Zé Roberto ! Desejo ótimas oportunidades e sucesso na sua trajetória em gestão pública!!
Parabéns Zé Roberto Vaz, muito sucesso e que Deus te abençoe. Abraço