Como o formato de vacina da apuração virou ícone de identidade pós-eleições.
Para designers, tatuadores e profissionais da moda, a semiótica gráfica das eleições se transformou em fonte de renda.

BRASIL | A estética gráfica das apurações eleitorais costumam se restringir a painéis de estúdio de TV, infográficos de portais de notícias e planilhas de analistas políticos. No entanto, o desenho da curva eleitoral do segundo turno, que em sua trajetória lembra o formato visual de uma de vacina, ultrapassou a análise de dados para se transformar em um fenômeno de consumo e expressão política.
Tudo começou como memes e ilustrações compartilhadas em redes sociais mas rapidamente ganhou forma na realidade em formato de estampas de camisetas, quadros decorativos, canecas e até mesmo em tatuagens. O movimento visual da curva eleitoral retrata o momento em que as linhas de votação dos candidatos se cruzam ou se distanciam em um formato característico de uma seringa, objeto de saúde pública que carrega todo um simbolismo político de resistência, que remete ao negacionismo bolsonarista às vacina durante a pandemia de Covid-19, que matou mais de 700 mil pessoas no Brasil.
Para designers e profissionais de moda, essa semiótica gráfica se transformou em fonte de renda. Marcas e produtores independentes rapidamente criaram coleções em serigrafia estampando o gráfico eleitoral em camisetas de algodão, bonés e sacolas ecológicas. Canecas de cerâmica, adesivos e capinhas de celular, todos esses itens, com o traçado da apuração, podem ser encontrados em plataformas de e-commerce na internet. Existem relatos e várias fotos nas redes sociais de pessoas que tatuaram o gráfico eleitoral na própria pele como um registro histórico da superação eleitoral e de afirmação política.
Esse movimento comercial e midiático retrata como a internet e as redes sociais tem potencial para moldar a comunicação e a cultura de massas no Brasil.
Redação | Jornal O Decolonial |





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