Cruzeiro participa do lobby das Bets no STF e expõe a distância das SAFs com a própria torcida.
Atualizado: há 1 dia
Editorial do Jornal O Decolonial avalia a participação do Cruzeiro Esporte Clube e dos clubes de futebol no lobby das Bets.

EDITORIAL #04 | A presença do Cruzeiro Esporte Clube no Supremo Tribunal Federal para tentar derrubar a Medida Provisória que proíbe as Bets expõe uma situação lamentável e contraditória : a distância entre os interesses financeiros das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) e a realidade socioeconômica da própria torcida.
A diretoria cruzeirense escancarou uma escolha institucional perversa, preferiu atuar como uma peça do lobby das BETS ao invés de assumir a responsabilidade sobre os danos socioeconômicos provocados pelo jogo compulsivo em sua própria base de torcedores.
Para defender a manutenção das plataformas de apostas , o Cruzeiro a partir do advogado José Francisco Cimino Manssurm, levou ao STF o argumento de que os recursos das bets pagam os títulos e mantém a competitividade das equipes masculina e feminina. No entanto, essa narrativa esconde um ciclo perverso, o dinheiro milionário que entra nas contas da SAF sai diretamente do orçamento de famílias da classe trabalhadora cruzeirense e que eventualemente podem parar de consumir os produtos do clube , e pior, comprometendo a própria saúde e de seus familiares com quem convivem. Os clubes não podem continuar atuando como fiador moral de um produto financeiro de alto risco para a sociedade brasileira, naturalizando o jogo, o vício e o adoecimento mental dentro das casas dos seus próprios torcedores.
A atuação dos cartolas e executivos na audiência do STF revela como a transformação dos clubes em empresas financeiras alterou a escala de prioridades e colocam os interesses econômicos acima das paixões e do bem estar do torcedor. Quando a administração da SAF cruzeirense se junta às BETS para defender a "segurança jurídica dos contratos", ela se alinha ao mercado corporativo e dá as costas às estatísticas públicas de endividamento e do aumento de quadros de ludopatia em Minas Gerais e no Brasil.
Superar a dependência irrestrita do capital das apostas e reatar o compromisso histórico dos clubes com a população exige atitudes concretas tanto do Estado quanto das próprias instituições esportivas. O futebol brasileiro precisa desenhar um plano de transição orçamentária que reduza a exposição a um único setor de alto risco, buscando fontes sustentáveis de financiamento baseadas em ativos de longo prazo e engajamento real da torcida.
O Cruzeiro Esporte Clube e os demais gigantes do futebol nacional têm a oportunidade de liderar essa mudança. Restabelecer o equilíbrio entre a busca pela saúde financeira e o respeito ao bem-estar do seu povo não é uma exigência moral, mas a única garantia de que o futebol continuará existindo como patrimônio cultural e coletivo do povo brasileiro.
EDITORIAL #04





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